• Adevanir Vaz

O tom de despedida da Princesa do Sul e os próximos passos na licitação do transporte


Era meados da década de 1980. Pouso Alegre inciava seu primeiro grande ciclo de expansão industrial, movimento que levaria a cidade a se tornar a maior economia do Sul de Minas três décadas depois. Foi também nesse período crucial para o município que foi fundada a empresa de transporte Viação Princesa do Sul. Criada pela família de João Pereira da Mata, ela tinha uma missão: operar o transporte coletivo urbano e rural de Pouso Alegre, função que exerceria por mais de 30 anos.

O longevo período da empresa à frente de um dos serviços mais sensíveis para a população não transcorreu incólume. O desgaste na relação empresa - usuário foi paulatino. Seu ponto de inflexão, porém, ocorreu nos últimos cinco anos, com ao menos um grande marco: as jornadas de junho de 2013, quando a tarifa do transporte público foi o estopim de uma série de movimentos populares de insatisfação generalizada. Desde então, a imagem da empresa junto aos usuários do serviço se deteriorou completamente.

Pode se dizer que no exato momento em que o país se preparava para mergulhar em uma de suas mais profundas crises políticas e econômicas, tinha início o inferno astral da empresa. Com tarifas congeladas por três anos, preço de insumos em disparada e com o transporte público utilizado como um dos bodes expiatórios para aplacar a insatisfação popular. A qualidade do serviço caiu e a imagem da empresa nunca esteve tão ruim.

A convergência de fatores fez disparar uma lenta agonia que culminou na não renovação do contrato de concessão que a empresa mantinha junto à Prefeitura. Esta optou por fazer uma nova licitação para o serviço, movimento que corrobora com as promessas feitas durante a campanha pelo prefeito Rafael Simões (PSDB) diante da reclamação número um dos pouso-alegrenses: a má qualidade do transporte público.

LICITAÇÃO TEM ÚNICA PARTICIPANTE A promessa começou a ser cumprida, na prática, esta semana, quando foram abertos os envelopes com a documentação das empresas que pretendiam participar da concorrência pública. Duas haviam encaminhado propostas: a Expresso Planalto Transporte e Logística Ltda., pertencente ao grupo CSC Transporte e Logístca, e a Lotus Lotação Transporte e Serviços Ltda. Esta última representava, de certa forma, a derradeira tentativa da Princesa do Sul em manter-se à frente do serviço, já que foi criada por meio da incorporação da empresa à Expresso Gardênia. Mas, antes mesmo da abertura dos envelopes, a Lotus anuniciou sua desistência do processo. Já não havia mais tempo para desistir. Divergências de documentos barrariam a empresa de prosseguir na licitação de qualquer forma, afirma a Prefeitura.

A EXPRESSO PLANALTO Já a documentação da Expresso Planalto foi habilitada pela comissão de licitação. A empresa seguiu solitária na disputa. O grupo CSC, seu controlador, é uma empresa familiar fundada em Viçosa (MG) no ano de 1963. Desde então, se especializou no transporte de pessoas. O faz em 12 municípios, onde atua como concessionária do transporte público, e na forma de fretamento.

PRÓXIMAS ETAPAS Após a verificação dos documentos da empresa, será analisada pela Comissão de Licitação sua proposta técnica, em seguida a proposta comercial, que inclui as tarifas que seriam praticadas para operação do serviço. Só então, não havendo nenhum impedimento jurídico, a empresa conquistaria a concessão.

O superintendente de Licitações da prefeitura, Leandro Corrêa, estima que, vencidas todas as etapas, é possível que no final do ano seja assinado o contrato com a vencedora do certame.

O CONTRATO O valor estimado do contrato é de R$ 197 milhões para 20 anos de concessão (prorrogável por igual período). Dentre as exigências que a empresa terá de cumprir estão: operar 26 linhas, com frota total de 41 ônibus, 13 mini ônibus e 02 micro-ônibus. A demanda estimada de passageiros é de 612,6 mil por mês.

NOTA DA PRINCESA DO SUL Enquanto tudo isso acontecia, a Princesa do Sul enviava nota à imprensa em tom de despedida. Afirmou que continuará à frente do serviço, enquanto durar a licitação. Agradeceu a acolhida dos pouso-alegrenses durante o tempo de atuação da empresa na cidade e afirmou que se dedicará a novas oportunidades no fretamento de ônibus para a iniciativa privada: “visto o delicado momento que atravessa o cenário de transporte coletivo em todo país, a empresa acredita ser um importante momento para buscar novas oportunidades”, avaliou.

Confira a íntegra do comunicado da Princesa do Sul:

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