• Adevanir Vaz

Comando para o tráfico na região sai de dentro do presídio de Pouso Alegre


Com mobilização de 123 agentes, 34 viaturas, 1 helicóptero 'Operação Gênesis' executou 50 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão em sete cidades do Sul de Minas e estado de São Paulo

Desde que o Comando Vermelho surgiu no final da década de 1970 nas celas do Rio de Janeiro, na esteira do Regime Militar, o Brasil acompanhou a evolução de um sistema de comando de facções criminosas cujos cérebros não puderam ser contidos pelas grades, que nem sequer conseguiram reduzir seu grau de periculosidade. Do movimento politizado em que se fomentou o Comando Vermelho, nascido da associação de presos políticos e comuns, até facções mais pragmáticas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo que partiu da cidade paulista para atuar em todos os estados da federação, dezenas de ajuntamentos passaram a ter uma espécie de comando remoto do crime organizado, imune às barreiras físicas dos presídios.

Com ramificações abrangentes e sofisticadas, o sistema se expandiu de norte a sul do pais, ganhando nomes sugestivos como 'Família do Norte'. Algumas estimativas apontam para mais de 80 facções atuando no território nacional. Em Pouso Alegre, a Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (05) uma mega operação para combater essas associações criminosas. Apelidada de Gênesis, a ação reuniu 123 agentes, 34 viaturas, apoio aéreo e da polícia com cães para o cumprimento de 50 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão. Um dos focos do inquérito apontam: parte importante do núcleo de comando do tráfico de drogas na região está encarcerado no presídio de Pouso Alegre.

Ao menos 38 pessoas foram presas durante a operação, sendo que 14 delas já cumpriam pena no presídio local. De acordo com as investigações, pelo menos 16 associações criminosas se formaram para garantir o transporte e a distribuição de drogas no corredor projetado entre o estado de São Paulo e o Sul de Minas. Em busca de desmantelar as quadrilhas, a operação se estendeu por outras seis cidades, em Minas: Cambuí, São Gonçalo do Sapucaí, Lambari e Itajubá; e em São Paulo: Diadema e Itapecerica da Serra.

A delegada do departamento de entorpecentes, Stela Pires Reis, responsável por coordenar as ações, explica que as investigações partiram de um grampo telefônico para descobrir toda uma rede de comunicações destinada ao planejamento das ações ligadas ao tráfico. "Com as interceptações telefônicas, nós identificamos 16 associações criminosas. São associações que são independentes entre si, mas todas elas colaboram para o tráfico de drogas na região", esclarece a delegada.

Mas como é possível comandar instruções de dentro do presídio? Esta é uma das perguntas que as investigações pretendem respondem, de acordo com o delegado regional Renato Gavião. "Como está havendo essa comunicação de pessoas presas com o mundo exterior. Nós vamos ter que identificar se está havendo uma facilitação ou não", assegurou.

O mecanismo

A delegada Stela Reis explica que os presos que integravam as organizações criminosas ajudavam a coordenar ações dentro e fora do presídio. Na unidade prisional, eles utilizavam celulares para dar instruções aos comparsas ou aproveitavam as visitas para combinar dia, horário e forma da entrada da droga no próprio presídio. "A gente vai comunicar o presídio sobre o fato e eles podem sofrer uma sanção administrativa, além de responder por mais um delito que é o crime por associação ao tráfico de drogas", informou.

Mais inquéritos

Outros inquéritos estão em andamento na delegacia de entorpecentes para apurar movimentações financeiras e toda a logística que dá fluidez ao tráfico na região a partir da ação das associações criminosas identificadas na investigação.

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