• Adevanir Vaz

Economia, valores e segurança devem pesar no voto do pouso-alegrense


Segundo maior colégio eleitoral do Sul de Minas, Pouso Alegre vai às urnas em eleição repleta de ineditismos

No domingo (07), 102.711 pouso-alegrenses vão às urnas escolher deputados estadual e federal, dois senadores, governador e presidente. Na eleição nacional mais curta e com menos recursos desde a redemocratização do país, as estruturas partidárias e os meios convencionais de comunicação, como TV e rádio, cederam o protagonismo às redes sociais, meio onde quem manda é o eleitor, que tomou as rédeas do processo eleitoral de maneira incontestável. Mas nesse contexto tão diferente como vai votar o pouso-alegrense?

Para o cientista político Isaías Pascoal, os eleitores pouso-alegrenses devem levar em conta principalmente a crise econômica, componentes ideológicos e a segurança pública na hora de votar. Mas esse voto, que em outras eleições buscavam candidaturas de centro e centro-direita, notadamente o PSDB, deve seguir outro caminho, por conta do desgaste das principais lideranças tucanas, como Aécio Neves. Como em outros redutos peessedebistas pelo país, Bolsonaro deve colher uma grande quantidade de eleitores por aqui.

“Alckmin, embora tenha um discurso mais racional e agregador, não conseguiu se viabilizar. O problema é que a crise econômica, a irritação com as ideias e ações de grupos militantes de causas mais específicas (sexual, racial e gênero) de boa parte da sociedade e a vulnerabilidade social em relação à segurança, tornaram a opção por Jair Bolsonaro mais adequada ao sentimento deste setor que deseja um outro tipo de ação política”, explica o cientista político.

Isaías Pascoal acredita que o Sul de Minas deve seguir o processo de identificação com Bolsonaro, que hoje representa o antipetismo e propõe ações incisivas no campo da segurança social e “a luta contra os novos valores morais dos grupos mais minoritários”, avalia.

Candidato da terra Entra eleição, sai eleição e as principais lideranças políticas locais fazem o apelo ao eleitor: “precisamos eleger um candidato da terra”. Em 2018, o discurso pode até não ter soado tão forte, mas o vice-prefeito Dr. Paulo (Patriota), apoiado por Rafael Simões (PSDB), eleito para a Prefeitura com mais de 70% dos votos, desponta com chances de quebrar o enorme hiato de representantes naturais de Pouso Alegre na Assembleia de Minas.

“Eu não vejo isso (a eleição de representante da terra) como fundamental, mas não há razão para a cidade não ter um representante seu”, avalia o cientista político. Mas ele estima que o vice-prefeito terá que obter no município ao menos 50% dos votos para ter chances reais.

“Somados aos votos obtidos nas cidades vizinhas, podem colocá-lo bem na coligação de que faz parte (RENOVAÇÃO - 51-PATRI / 36-PTC / 35-PMB). A coligação é pequena e pode não conseguir o quociente eleitoral. Se conseguir e a votação do candidato apoiado pelo prefeito for boa, então a possibilidade de eleição se viabiliza”, projeta.

Nova realidade exige aproximação do eleitor O enxugamento financeiro aliado ao tiro curto das eleições de 2018 fez com que as campanhas buscassem uma aproximação maior dos candidatos com os eleitores. As grandes estruturas de marketing e publicidade e enorme quantidade de cabos eleitorais ficaram para trás.

“O candidato precisou mudar. Das plenárias que reuniam grande quantidade de pessoas, foi preciso passar para reuniões menores, mais estratégicas e temáticas”, conta o ex-vereador e ex-presidente da Câmara de Pouso Alegre, Rafael Huhn, que coordena, na cidade, as campanhas dos candidatos Décio Camargos e Greyce Elias.

Segundo o político, com a perda do poder de comunicação no período eleitoral, os candidatos estão cada vez mais obrigados a manter uma relação constante com sua base, não sendo mais possível esperar o período eleitoral para falar com seu público-alvo. “Isso é bom porque obriga o candidato a manter fortes vínculos com seu eleitor”, avalia.

Huhn também considera que as redes sociais modificaram profundamente as campanhas, sendo outra ferramenta que obriga o candidato a estar mais próximo dos eleitores. “Eles [os candidatos] não publicam apenas sua agenda de campanha, eles passam a publicar o seu dia a dia, suas relações sociais. É mais uma mudança comportamental que influi decisivamente no quadro eleitoral”, propõe.

Para a jornalista Cristiane Carvalho, que atua na campanha do ex-prefeito de Caldas Ulisses Guimarães, essa exigência de aproximação houve "um retrocesso positivo". Ela avalia que em eleições anteriores, as altas somas de recursos permitia aos candidatos um certo distanciamento. "Desde a pré-campanha, estamos indo até as pessoas, explicando e expondo nossas ideias", pontua.

Segundo ela, nem mesmo as redes sociais são capazes de diminuir essa necessidade de aproximação. "Mesmo com a possibilidade de impulsionamento via redes sociais, e por mais que você possa trabalhar com valores baixos, se você quiser direcionar, focar é caro e a gente não tem esse financiamento", afirma. A saída, como conta a jornalista, é 'gastar sola de sapato' e 'fazer corpo a corpo', o que para ela é extremamente positivo do ponto de vista da qualidade do voto e da aproximação entre eleitores e candidatos.

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