Zema fará processo seletivo para escolher secretários


Governador eleito tenta migrar práticas da iniciativa privada para administração pública

O governador eleito de Minas Romeu Zema (Novo) deve iniciar o processo de formação da sua equipe de governo com uma inovação: fará processo seletivo para a escolha de seu secretariado. A ideia é fazer exatamente como funciona na iniciativa privada.

Uma comissão de seleção formada por integrantes do Novo e uma empresa de recursos humanos vão indicar e selecionar nomes técnicos e profissionais para cada área. Os primeiros nomes escolhidos devem ser apresentados em até sete dias.

Zema passou a segunda-feira (29) em reuniões com sua equipe de campanha e dirigentes partidários para dar início à transição de governo. Eleito em segundo turno, com 71,8% dos votos válidos contra 28,2% de Antonio Anastasia (PSDB), o empresário de Araxá, dono de uma rede de lojas, concorreu à eleição pela primeira vez.

Corte de gastos

Zema afirmou que irá reduzir o número de secretarias de 21 para 9. Mencionou, por exemplo, a união das secretarias de Administração Prisional e de Segurança Pública, e também as secretarias de Meio Ambiente e de Agricultura, que é também umas das propostas de Bolsonaro no âmbito federal.

O economista Gustavo Franco, que foi presidente do Banco Central e é responsável pelas propostas econômicas do Novo, não aceitou o convite para assumir a Fazenda em Minas por já ter outros compromissos firmados em sua consultoria.

Franco, porém, vai auxiliar na escolha da equipe econômica do novo governo mineiro e dará consultoria aos secretários. A expectativa é tê-lo em Belo Horizonte para reuniões ao menos uma vez por semana.

A equipe de transição terá como integrante o vereador de Belo Horizonte Mateus Simões (Novo), que foi coordenador político da campanha. Até terça (30), Zema quer definir outros nomes para a equipe e comunicar ao atual secretário de Planejamento, Helvécio Magalhães.

Transição

Conforme os secretários de Zema forem definidos no processo seletivo, também farão parte da transição. A missão da equipe será chegar a um diagnóstico preciso da situação fiscal do estado. A Lei Orçamentária de 2019 prevê um déficit de R$ 11,4 bilhões. Mas, para o governador eleito, o rombo poder ser até maior. Ele declarou em entrevista à rádio CBN acreditar que possa haver artifícios contábeis para mascarar os números. Há quatro anos, quando assumia o governo, Pimental fez declaração parecida acerca do governo que substituiria.

Há dois anos, Minas declarou estado de calamidade financeira. Desde então, os servidores estaduais recebem seus salário em parcelas e, muitas vezes, até as parcelas atrasam. A Associação Mineira de Municípios afirma que o governo do Estado deve ao menos R$ 9 bilhões em repasses às prefeituras. O governador eleito não prometeu saída fácil. Avalia que os salários atrasados, por exemplo, só devem voltar a ser pagos em dia nos próximos dois anos.

Primeiras medidas

Para contornar o rombo fiscal, Zema detalhou suas medidas prioritárias. A primeira delas será o corte de gastos. Contratos também serão revistos. Ao menos R$ 10 milhões poderiam ser economizados apenas com viagens e banquetes. No horizonte está ainda a fusão de empresas e o corte de 80% em gastos com servidores comissionados. Há ao menos 4 mil deles no Estado.

Zema propõe ainda aumentar a receita sem aumentar impostos, criando um ambiente mais favorável a investimentos e à atração de empresas ao simplificar tributos e agilizar licenças ambientais, por exemplo. A ideia é gerar 150 mil empregos no primeiro ano. Mas ainda não há detalhes de como isso será feito.

A terceira medida anunciada pelo governador eleito é a renegociação da dívida com a União.Franco já esteve em Brasília para tratar do assunto com técnicos do Ministério da Fazenda. Zema criticou Pimentel por não ter feito a renegociação porque não aceitou as contrapartidas de austeridade exigidas pelo governo federal.

Dificuldades na Assembleia

Eleito com ampla maioria, Zema não terá vida fácil na Assembleia de Minas. Até o momento, sua bancada não passa de três deputados eleitos pelo Novo. Seus adversários, PT e PSDB, somam 17 cadeiras. Zema, no entanto, espera ampliar seu apoio até o início de seu mandato.

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