• Adevanir Vaz

Simões espera ter bom trânsito com Bolsonaro e vê PA importante para recuperação de Minas


Simões avalia trânsito de sua gestão em nova configuração política nos governos estadual e federal (foto: arquivo pessoal)

As eleições 2018 fizeram ecoar das urnas um estrondoso recado: a política tradicional está contestada pela maioria absoluta do eleitorado e está longe de entender e menos ainda de dar conta da complexidade que envolve a atual cena social e econômica brasileira. O movimento levou os outsiders, como são conhecidas as figuras com pouca ou nenhuma tradição na política, diretamente para o centro das tomadas de decisão.

Essa realidade é bastante concreta para os mineiros que, em 2019, terão como representante máximo no estado o empresário Romeu Zema, que nunca antes havia se candidatado a um cargo eletivo, surgiu como zebra e aniquilou a disputa entre PT e PSDB correndo por fora.

Resultado semelhante à eleição nacional, onde sagrou-se vitorioso Jair Messias Bolsonaro (PSL) que, embora esteja há mais de 30 anos na política, foi eleito pelos brasileiros tendo sido projetado durante a campanha eleitoral como figura contestadora do establishment. Ambos tiveram votação histórica em Pouso Alegre, com mais de 70% dos votos válidos. No caso de Bolsonaro, foi a segunda maior votação da história das eleições presidenciais no município, atrás apenas da vitória de Collor no segundo turno das eleições de 1989.

Diante dessa reviravolta política, quais pontes podem ser construídas entre Pouso Alegre e os novos ocupantes do governo de Minas e Palácio do Planalto? O prefeito Rafael Simões (PSDB), ele próprio eleito como outsider na últimas eleições municipais, apoiou seu colega de partido Antônio Anastasia para o governo mineiro, mas acredita que sua gestão terá bom trânsito em ambos os níveis de governo. Vê a possibilidade de Bolsonaro descentralizar os recursos, direcionando uma parte maior do bolo de arrecadação aos municípios e acredita que Pouso Alegre será importante no processo de resgate de Minas Gerais, que atravessa uma crise fiscal de dimensões históricas.

Confira os principais trechos da entrevista feita por e-mail:

Perspectivas nas relações com o governo federal:

Rafael Simões: Temos perspectivas bastante positivas. Vale lembrar que durante a campanha e de seu discurso após se consagrar vencedor nas urnas, o presidente eleito Bolsonaro fez várias menções sobre a importância dos municípios no contexto nacional, dizendo textualmente que “precisamos de mais Brasil e menos Brasília”.

Nesse sentido, fica clara a sua disposição de canalizar recursos diretamente para a ponta da linha, onde as coisas realmente acontecem, isto é, o município. Assim, acreditamos, teremos um bom trânsito nos ministérios para captar recursos direcionados aos projetos de infraestrutura de nossa cidade.

Além disso, contamos com o firme apoio do deputado federal Bilac Pinto, que tem sido a voz de Pouso Alegre em Brasília, seja estreitando importantes diálogos ou intervindo para que recursos, via emendas parlamentares, cheguem até aqui. Agora, poderemos contar também com o apoio do senador eleito Rodrigo Pacheco, que conhece nossa cidade, bem como do senador Antônio Anastasia, que é um eterno defensor de Pouso Alegre na capital do Brasil.

Perspectivas nas relações com o governo estadual:

Rafael Simões: "Eu tenho dito que o Estado está falido, doente terminal, a gente precisa de medidas urgentes, os professores, pensionistas e militares recebendo atrasado, as prefeituras sem os repasses, isso demanda medidas urgentes, caso contrário a situação vai se agravar”, estas são as palavras do governador eleito, Romeu Zema.

Bem, primeiro temos que analisar de maneira superficial a situação do Estado que o governador eleito irá herdar. São aproximadamente 600 mil funcionários públicos insatisfeitos, que não recebem seus salários em dia. Além disso, há uma situação gravíssima: as 853 cidades mineiras vivenciam a falta de compromisso do atual governo, que retém recursos dos municípios para sustentar uma máquina pública inchada e não cumpre com as suas obrigações constitucionais. A maioria das cidades mineiras não terão meios para pagar o salário de novembro e o 13º dos servidores.

É dentro deste quadro de caos administrativo e financeiro que vamos ter que enfrentar as dificuldades junto com o governador eleito. A nossa expectativa é que Romeu Zema volte seus olhos para os municípios, pois são neles que a vida dos mineiros realmente acontece. São as cidades que geram as riquezas e que sustentam a máquina púbica da União e do Estado.

Dívida do governo do Estado com os municípios:

Nossa expectativa é que o governador eleito honre, o mais breve possível, a dívida do Estado, sob pena de agravar de forma perigosa o atendimento à população, principalmente na área da saúde. A dívida com Pouso Alegre já ultrapassa os 62 milhões de reais. Só na área da saúde beira os 40 milhões de reais. Já na área da educação, a dívida aproxima dos 14 milhões de reais. O atual governo de Minas reteve de forma irresponsável mais de 8 milhões do ICMS, que deveria ser repassado à nossa cidade. Destacamos que Pouso Alegre está fazendo a sua parte. Enxugamos a máquina administrativa e estamos dando uma nova roupagem na administração municipal. Vários empresários estão instalando suas empresas na cidade, fato amplamente noticiado pela mídia. Pouso Alegre se destaca na geração de empregos em Minas Gerais. É certo que temos muito a fazer, mas os primeiros passos foram dados e vamos seguir fazendo o melhor para nossa cidade.

Representante de Pouso Alegre na Assembleia e o apoio do município para a recuperação do Estado:

Acreditamos teremos um bom diálogo com o governador eleito, Romeu Zema, já que a sua intenção é de fazer diferente e de colocar Minas Gerais novamente como referência no cenário nacional. Acreditamos também que, para fazer isso, ele vai depender muito dos municípios e Pouso Alegre não vai faltar a este compromisso. Estaremos dispostos ao diálogo e prontos para apoiar ações que forem para o bem de nossa cidade, da região e de Minas Gerais.

Além da nossa abertura para o diálogo, Pouso Alegre agora tem um representante na Assembleia Legislativa, que é o Dr Paulo. Ele será a nossa voz no parlamento mineiro, bem como um dos canais de contato direto com o governador eleito. Contamos ainda com o apoio irrestrito do nosso deputado federal Bilac Pinto, senador Anastasia e o Senador eleito Rodrigo Pacheco. Assim, afirmamos que queremos o bem de Minas Gerais e a cidade de Pouso Alegre estará pronta para apoiar o governador eleito nas ações que busquem dar um novo rumo para o nosso Estado. Diálogo e pontes existem e onde não existirem, nós construiremos

#Política #Cidade

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