Atabaque, batidas e sons de resistência e de religiosidade


No decorrer da História da Humanidade, a Arte sempre foi considerada uma das mais importantes formas de expressão e de comunicação entre os povos e, sobretudo, um grito de resistência das minorias.

No Brasil, instrumentos musicais nasceram e se transformaram como ferramentas de resistência de elementos de suas culturas originais, como é o exemplo do atabaque, de origem árabe derivado do termo “al-Tabaq”. Amplamente difundida na África, catequizada pelo islamismo, esteve presente nas senzalas do Brasil trazidos pelos negros de origem sudanesa e se fortaleceu nas expressões culturais de origem negras: como o congado e monçambique e na religiões de origem Afra, como Umbanda e Candomblé.

Como conta Cleber Ferreira dos Santos, conhecido como Garrincha, umbandista e percursionista: “O atabaque é um instrumento sagrado em nossa religiosidade e em todas as religiões que a usam. Não pode ser tocado por qualquer pessoa e precisa ser autorizados pela espiritualidade maior e pelo dirigente da casa para ser utilizado em rituais sagrados.

Cleber Ferreira dos Santos, o 'Garrincha'

Ainda segundo Cleber, existem três tipos de atabaques que são utilizados nos rituais religiosos umbandas: o maior, chamado de Rum, o médio de Rumpi e o menor de Lê. Reunidos formam a Corimba da Casa e são tocados pelo Ogan, chefe ou principal do terreiro.

O Brasil se tornou mais do que o país que aceitou todas as culturas mundiais em seu tempo de formação, é o país que permitiu o diálogo destas mais variadas formas de saberes e de crenças, proporcionando ainda, do jeito brasileiro de ser, com ecletismo e a miscigenação, a criação de várias expressões que carregam origem em outros lugares, mas são legitimamente brasileira.

Segundo a artista e estudiosa Lina Bo Bardi: “um país em cuja base está a cultura do povo é um país de enormes possibilidades”. Desta forma, entendemos que as expressões culturais ricas artisticamente e, sobretudo, musicalmente vem utilizando de instrumentos de percussão por várias gerações e seu tocar e seus sons ainda são instrumentos de fé, resistência e amor.

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