Mais Médicos: ao menos 70 cubanos devem deixar o Sul de Minas


Médicos cubanos desembarcam no Brasil - José Cruz/Arquivo Agência Brasil

O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informou que o fim da parceria entre Brasil e Cuba no âmbito do programa federal 'Mais Médicos' deve interromper o atendimento prestado por ao menos 70 cubanos no Sul de Minas. Na quarta-feira (14), o governo do país caribenho anunciou a saída do programa alegando "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro à presença dos médicos cubanos no Brasil.

Os médicos cubanos devem começar a deixar o país a partir de 25 de novembro. Os 70 médicos que deixarão o Sul de Minas fazem parte do grupo de 187 profissionais que atuam no programa Mais Médicos na região. Ao todo, 82 cidades são atendidas. A redução abrupta de profissionais resultará em um impacto de 37,4% do efetivo regional.

Mauro Junqueira, presidente do Conasems, manifesta preocupação com o quadro. Ele avalia que a substituição dos médicos é urgente. “São quase 8,4 mil médicos que deixam o programa [no país] e nós temos que fazer a substituição o mais rápido possível”, alerta.

Em Minas Gerais, o número de médicos que deve deixar o programa é de 596. A estimativa da Confederação Nacional dos Municípios é que a medida afete cerca de 28 milhões de pessoas em 600 municípios brasileiros. O governo federal deve iniciar uma seleção pra substituir os profissionais cubanos ainda no mês de novembro.

Entenda o caso

Na última quarta-feira (14), o governo de Cuba anunciou sua saída do programa 'Mais Médicos', parceria iniciada em 2013 durante o governo da então presidente Dilma Rousseff, que criou o programa para atender regiões carentes, sem cobertura médica.

"O Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do Programa Mais Médicos e assim comunicou à diretora da Organização Pan-Americana de Saúde [Opas] e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam a iniciativa", dizia um trecho da nota que oficializou o comunicado.

Cuba sustenta que a retirada de mais de mais de 8,4 mil médicos se deu por "referências diretas, depreciativas e ameaçadoras" feitas pelo presidente eleito Jair Bolsonaro.

No mesmo dia, via Twitter, Bolsonaro disse que condicionou a permanência de Cuba no programa Mais Médicos à "aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias". Segundo ele, o governo cubano não se prontificou a atender as exigências.

Retorno a Cuba

Autoridades do governo de Cuba anunciaram que cerca de 8 mil profissionais que atuam no programa no programa "Mais Médicos" e que prestam serviços no Brasil retornarão antes do fim do ano. Representantes dos ministérios de Saúde Pública (Minsap) e do Transporte informaram que há um plano para o regresso "ordenado e seguro" dos médicos, que começará no final da próxima semana e deve terminar em meados de dezembro.

- Com informações da Agência Brasil

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