Vagões da Maria Fumaça são preparados para sucata


Pouco mais de um mês após a remoção da Maria Fumaça para a cidade de Castro Alves, no Recôncavo Baiano, os últimos vagões que sobraram do conjunto da locomotiva são preparados para sua destinação final.

Na segunda-feira, uma parte deles foi removida por funcionários da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) para serem utilizados na reforma da Maria Fumaça de São Lourenço.

Apos a ação, ainda restaram três vagões no local. Destes ao menos dois já estão sendo 'desintegrados' para serem recolhidos ao ferro velho, onde serão transformados em sucata.

Veja o vídeo:

Entenda

No início de novembro, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) removeu a Maria Fumaça para a cidade de Castro Alves (BA). A movimentação de um patrimônio tombado do município pegou a todos de surpresa.

À época, a Prefeitura se limitou a informar que a remoção era uma determinação do DNIT, órgão responsável pelos bens da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA), à qual pertencia a Maria Fumaça de Pouso Alegre.

Mais tarde, porém, o DNIT divulgou a seguinte nota: "Informamos que a locomotiva Maria Fumaça estava em situação de total abandono. Sendo assim, o DNIT deu um prazo para a Prefeitura de Pouso Alegre tomar providências. Visto que não houve manifestação da referida Prefeitura, esta Autarquia cedeu a locomotiva para a Prefeitura de Castro Alves que se comprometeu a recuperá-la".

Conselho não se posiciona

Naquela data, o Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais da cidade disse ter sido pego de surpresa. "Fui informado do fato hoje (ontem - 1/11), próximo das 17h. Todos fomos pegos de surpresa com o ato, sem o conhecimento do conselho", afirmou em novembro o presidente da entidade, o arquiteto Allyson Andrade de Paula. Segundo ele, a versão dada ao conselho sobre a transferência foi de que o DNIT teria exigido uma posição da Prefeitura em torno da reestruturação da Maria Fumaça. As melhorias teriam custos estimados entre R$ 2 e 3 milhões.

"A prefeitura, por não ter recursos para manter, abriu mão do bem tombado (sem o conhecimento do conselho) para quem quisesse e tivesse a condição de restaurar", aponta o arquiteto. Allyson lembrou, então, que a medida deveria ter sido levada a uma reunião ordinária ou extraordinária do conselho. Não fazendo isso, a Prefeitura teria 'passado por cima' da entidade.

Allysson chegou a informar que acionaria o Ministério Público, mas, deste então, mais de 40 dias após o primeiro contato da reportagem, não voltou a se posicionar a respeito do tema.

O Conselho de Políticas Culturais e Patrimoniais é uma instância colegiada formada por representantes da sociedade civil e do poder público. Sendo que os primeiros são escolhidos por meio de eleição e os últimos por indicação. Toda e qualquer intervenção em um patrimônio histórico, em tese, deveria passar pela aprovação da entidade.

Maria Fumaça teria que abrir caminho para avenida que vai ligar BR-459 ao Faisqueira

O destino da Maria Fumaça, porém, pode ter sido traçado já há algum tempo. O local onde estavam a linha de ferro, locomotiva e vagões será a rota inicial da via que ligará a BR-459 ao Faisqueira. Trata-se de uma demanda histórica do bairro cuja única via de acesso é dividida entre milhares de moradores, comerciantes e empresas que a utilizam diariamente. Enormes congestionamentos, acidentes e alagamentos que, não raro, deixam a população local ilhada, são problemas cotidianos na comunidade.

A construção da avenida está prevista no orçamento do município para 2019. Este ano, a Prefeitura chegou a sancionar a Lei 5.938, que previa a contratação de crédito junto à Caixa Econômica Federal (CEF) no valor de R$ 32.992.985,02.

"Entre as intervenções previstas estão a construção de uma nova via de acesso ao bairro Faisqueira, ligando-o à BR-459 na altura do “Trevo da Maria Fumaça” e a rotatória do bairro São Geraldo, além da revitalização de ruas centrais", informava em 10 de maio um informe enviado pela Prefeitura à imprensa.

Fontes ligadas ao Executivo afirmaram à esta reportagem que todo o conjunto da locomotiva teria necessariamente que ser removido do local para as obras viárias, o que pode explicar a inércia da Prefeitura diante das cobranças feitas pelo DNIT.

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