Cigarro de palha e o fumo de rolo: tudo a ver com o jeito mineiro de ser


Reprodução: 'Caipira Preparando Cigarro de Fumo e Palha' - Adrien Henri Vital van Emelen - óleo sobre metal

Como não identificar um homem da roça de Minas ao ver um senhor, de chapéu, sentando calmamente com um canivete na mão, cortando e dichavando um pedação de fumo de rolo. Logo em seguida, com a mesma calma, que é tão típica por aqui, tira aquela pedaço de palha do bolso da camisa e vagarosamente, como em um ritual, enrola seu cigarro de palha. Para arrematar, acende o cigarro, dá umas três tragadas, apaga e coloca ele bem guardadinho atrás da orelha.

Esta cena é tão emblemática para nós mineiros, que é difícil não nos remeter ao passado, numa lembrança do pai ou dos avos; numa lembrança de um passado em que o tempo era contado mais devagar, sem a pressa do chegar, com a leveza do andar. Se quisesse prosear, era só sentar ao lado e mesmo não fumando, era só ficar ali, participando daquele ritual quase religioso.

Para quem acha que nos tempos de hoje, com a diminuição do tabagismo, em meio à crescente industrialização e tecnologia, com os cigarros de marcas e aromáticos, que o tradicional fumo de rolo, ou corda, ficou no passado, se engana muito.

Tradição é tradição. Basta dar uma espiada no Mercado Municipal de Pouso Alegre. Por lá, há ainda duas lojas que vendem o mais conhecido fumo de rolo do Sul de Minas: o fumo de Poço Fundo.

Aliás, falar em Minas e de suas particularidades é sempre falar do encontro do passado com o presente, da tradição com a modernidade, da prosa e do relato, da venda e do mercado. É falar sempre da soberba da simplicidade.

O fumo de rolo também é muito usado como remédio para picadas e mordidas de animais. É só deixar ele curtindo em um vidro de álcool e passar um pouco do líquido com um pedacinho do fumo na ferida que logo alivia a dor. Se seu principal uso é o ato de fumar, há quem o use até para mascar, como se fosse um chiclete.

Meu amigo Ygor Santamaria registrou esta foto do Seu Luiz lá em Cavalcante na Chapada dos Veadeiros em Goiás. Mineiro do norte de Minas, Seu Luiz leva seu cigarro de palha e fumo de rolo pra todo lado.

Nossa foto de capa da matéria é a reprodução da Pintura: Caipira Preparando Cigarro de Fumo e Palha na técnica, óleo sobre metal do pintor e professor belga Adrien Henri Vital van Emelen, que se encontra no Museu Paulista (USP).

Segundo o portal da educação, o fumo teve origem na América Central, nas proximidades da cidade de Tobaco, região de Yucatán em 1520.

Os colonizadores espanhóis viram pela primeira vez, a planta sendo usada pelos índios, que a chamava de charutos ou cachimbo de tabaco e a utilizavam para espantar os mosquitos. Existem, ainda, relatos de que a origem do nome da planta tabaco foi denominada pelos colonizadores em homenagem à localidade onde a encontraram pela primeira vez Tabaco. (BALBACH, 1999).

A primeira descrição da planta de fumo foi feita por Romano Pene, parceiro de Cristóvão Colombo em sua viagem ao Novo Mundo. Em 1559, mudas da planta foram levadas para Espanha por um médico espanhol e posteriormente para Portugal. No ano de 1560, Jean Nicot, plantou no quintal de sua embaixada e usava as folhas em forma de rapé para dores de cabeça.

Deve-se a ele a denominação de nicotina. Anos após, o fumo chegou à Itália e, em 1585, na Inglaterra. Na metade do século XVII, o hábito de fumar se alastrou pela Europa e pelo mundo. Abriram-se muitos lugares que disponibilizavam o tabaco, e o hábito de fumar se tornou tão comum quanto o nosso cafezinho de todo dia.

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