Curso de mecânica, em Pouso Alegre, mira independência feminina na manutenção do veículo


Como muitos setores ocupados majoritariamente pelo público masculino, a mecânica automotiva é algo que, até pouco tempo, passava longe do universo feminino. Este, porém, é outro espaço em que elas avançam um pouco mais a cada dia. Um sinal dessa mudança pode ser observado em Pouso Alegre. No mês em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres, uma empresa de serviços automotivos ofereceu curso gratuito com noções de mecânica voltado exclusivamente para elas.

Uma das intenções da iniciativa é capacitar as mulheres para que elas possam cuidar de seus veículos com independência. Na rede de lojas da empresa, o curso já é realizado desde 1984. Em Pouso Alegre, ele está em sua segunda edição. "A ideia é deixá-las cientes do que realmente é necessário fazer em seus veículos como forma de prevenção, como forma de manutenção", conta Juliano Lima, gerente da filial da empresa em Pouso Alegre.

Como Lima explica, muitas mulheres, de certa forma isoladas do conhecimento automotivo, acabam dependendo da ajuda de terceiros ou então tendo que confiar cegamente na avaliação profissional de um prestador de serviço. Como nem todo mundo é bem intencionado, um pequeno problema pode virar um problemão, causar prejuízos e até por a segurança em risco.

"Eu recorria, antes aos meus irmãos", conta a monitora de educação infantil de 22 anos, Larissa Alves. Ela foi uma das participantes do curso ministrado pela empresa na noite desta quinta-feira (14). "A gente ganha uma certa independência, né?", considera.

"A gente mulher, a gente fala: 'Ah, não sei trocar um pneu, não sei olhar a água. A gente não sabe olhar quando o pneu está ruim, o óleo", elenca Paula Rafaela ao falar dos novos conhecimentos que adquiriu no curso.

Para ela, a falta de conhecimentos básicos afeta a independência da mulher. "Às vezes, o carro está com a água baixa, precisa calibrar o pneu, trocar o óleo... e a mulher não tenho o conhecimento exato para poder realizar isso. Aqui, aprendi muito sobre pequenas coisas que posso aplicar no dia a dia", projeta.

O curso

Em 2019, o 'Curso de Mecânica para Mulheres' da empresa vai até 30 de março em 141 das 169 lojas de sua rede. As turmas têm, em média, 30 alunas inscritas. Trata-se de uma aula única, com três horas e meia de duração.

O aprendizado conta com vídeo-aula, exposição dos especialistas de cada unidade e demostrações praticas, com visualização de peças e procedimentos de manutenção dos automóveis.

A busca pelo aprendizado conta com um público variado. Os perfis passam por mulheres de todas as idades, incluindo aquelas que acabaram de tirar a CNH - Carteira Nacional de Habilitação -, mães que precisam transportar seus filhos para as diversas atividades do dia a dia e mesmo aquelas que não querem ou não podem mais depender de maridos, filhos, genros ou netos.

Rede é exemplo de transformação

O avanço das mulheres sobre terrenos dominados pelos homens encontra mais um exemplo na rede de serviços automotivos. Das 169 lojas espalhadas pelo Brasil, 32 já contam com mulheres na gerência. Há muito a caminhar? Certamente, mas o caminho percorrido até aqui foi importante e não foi fácil.

Gerente de loja em Campinas, Daiane Pereira acreditava que as peças eram as mesmas para todos os carros. Foi nas revisões diárias, junto aos mecânicos, que ela desvendou este e todos os outros conhecimentos sobre cada componente automotivo.

Com treinamento, reciclagens e disposição, ela chegou ao cargo onde hoje, além de coordenar a loja, ajuda a organizar e a ministrar os cursos que ensinam noções básicas de manutenção dos veículos, incluindo sistemas de rodagem (pneus e rodas), suspensão, freio, bateria, palheta e motor com filtros e óleos, além de serviços de alinhamento, balanceamento, higienização de ar-condicionado e cristalização de vidros.

Preconceito

Não quer dizer que a falta de conhecimento é a única barreira que elas enfrentam. O pai e o namorado de Daiane não gostaram de saber que ela iria trabalhar em um ambiente tão masculino. Resistência quebrada pela persistência e dedicação profissional.

A resistência não vem apenas dos familiares. É preciso vencê-las entre clientes e até colegas de trabalho. Foi o que fez a gerente de loja de Ribeirão Preto. Aos 21 anos, ela chegava para trabalhar, pegar no pesado e enfrentar um ambiente hostil às mulheres. De pronto veio a sentença: "Você não vai entender".

Anos de trabalho depois, ela não apenas mostrou que entende, como tornou-se gerente da loja para ouvir "eu quero falar com um homem que entenda". Aos poucos, porém, com cada vez mais espaço conquistado e competência demonstrada, elas recebem reconhecimento de todos os lados.

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