• Adevanir Vaz

Manifestantes fazem carreata em Pouso Alegre por apoio a reformas e a Bolsonaro


Manifestantes foram às ruas de Pouso Alegre na manhã deste domingo (26) em apoio à reforma da previdência, à Lei anticrime do ministro Sérgio Moro e em apoio ao presidente Jair Bolsonaro. O ato reproduz movimento nacional convocado por organizações da sociedade civil, ligadas a movimentos conservadores e apoiadores do governo Bolsonaro, que chegou a anunciar sua participação nos protestos, mas recuou durante a semana.

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Em Pouso Alegre, a forma escolhida pelo grupo para se manifestar foi uma carreata com buzinaço, que teve como ponto de partida o entorno do aeroporto municipal. O ato seguiu em direção ao Centro, ganhando as principais avenidas da cidade.

Não há nenhuma estimativa do número de participantes no ato. No vídeo que acompanha a reportagem, o R24 traz algumas imagens do movimento nas ruas do Centro.

Convocação dos atos

Os atos deste fim de semana começaram a ser convocados após as manifestações do dia 15 desse mês, quando milhares de estudantes, professores, sindicalistas e populares foram às ruas de mais de 200 cidades brasileiras contra o contingenciamento de verbas na educação e contra a reforma da previdência.

Uma das primeiras convocatórias identificadas pelo "Monitor de WhatsApp", ferramenta de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), trazia o logo do movimento 'Nas Ruas'. No dia 16 de maio, uma imagem com a logo do grupo passou a estar entre as mais compartilhadas em grupos públicos do aplicativo.

Nesse primeiro chamamento, a mensagem clamava apoio para a "Nova Previdência", ao pacote anticrime e à Lava Jato, mas também pedia o impeachment de dois ministros do STF: o presidente da Corte, Dias Toffoli, e Gilmar Mendes.

No dia 17 de maio, Bolsonaro compartilhou um texto polêmico, inicialmente atribuído a um autor desconhecido (depois soube-se que ele havia sido escrito por Paulo Portinho, um analista da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que se candidatou a vereador em São Paulo, em 2016, pelo partido Novo), que cravava que o Brasil era um país 'ingovernável' fora dos 'conchavos' que envolveriam "políticos, (...) servidores-sindicalistas, sindicalistas de toga e grupos empresariais bem posicionados nas teias de poder. Os verdadeiros donos do orçamento [público]".

O compartilhamento do texto pelo presidente foi encarado no meio político como um sinal de que o governo e suas hostes partiriam para um confronto direto com o Congresso. Bolsonaro chegou a anunciar que participaria dos protestos deste domingo, mas recuou em seguida.

Enquanto isso, as mensagens convocatórias para o ato evoluíram para um tom cada vez mais crítico contra o classe política, com furor direcionado principalmente ao 'Centrão', como são conhecidas as siglas às quais atribui-se comportamento fisiológico no congresso. Movimentos como o 'Avança Brasil' e o 'Nas Ruas' conclamaram apoiadores a irem às ruas apoiar Bolsonaro contra o "establishment". O movimento passou a receber ainda o apoio do Clube Militar.

Mas a convocação rachou o meio bolsonarista. Movimentos que se consagraram durante o impeachment de Dilma Rousseff, como o MBL, criticaram o ato, classificando-o de golpista. Na mesma linha, seguiram símbolos da nova direita como a deputada estadual por São Paulo Janaína Paschoal (PSL) e o deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP).

Medindo forças nas ruas

Para os principais analistas políticos, as manifestações deste domingo trazem riscos consideráveis para o governo Bolsonaro. Em caso de ruas cheias, o clima de confronto com o congresso pode se acirrar. No caso de ruas vazias, Bolsonaro pode ter seu poder enfraquecido e abrir caminho para o 'parlamentarismo branco', que lideranças políticas já tramam como forma de isolar o Planalto.

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