• Adevanir Vaz

Retaliação política? Cohab pode suspender escritório previsto para Pouso Alegre


Escritório iria atender cerca de 2,3 mil mutuários com pendências como ausência de escritura. Líder do governo na Câmara afirma que medida é retaliação política. Cohab não é clara sobre suspensão mas diz que programa passa por reavaliação por "entregar resultados mais políticos do que técnicos"

Representação da Cohab Minas em Pouso Alegre poderia ajudar a solucionar os problemas de 2,3 mil mutuários sem escritura - Foto: divulgação

Cerca de 2,3 mil pouso-alegrenses mutuários da Companhia de Habitação de Minas Gerais, a Cohab, podem ser prejudicados por uma retaliação política direcionada ao município. É o que afirma o líder do governo Simões na Câmara Municipal, Rodrigo Modesto (PTB). De acordo com o parlamentar, um escritório da Cohab estava prestes a ser aberto na cidade para atender a demanda dos mutuários, muitos deles não tem sequer a escritura das casas, mas o projeto foi suspenso sem uma explicação objetiva.

"Nós tivemos uma receptividade negativa por parte do nosso secretário senhor Alessandro, que informou que devido à conveniências subjetivas não poderia atender a cidade de Pouso Alegre, por questões políticas", afirmou o vereador esta semana na Câmara.

O secretário citado pelo vereador é Alessandro Marques, presidente estadual do diretório do Democracia Cristã, ex-PSDC. Ele foi presidente da Cohab até março deste ano, quando foi retirado do cargo por pressão interna do Partido Novo. Pesava entre integrantes do partido de Zema o fato de ele ser um dos remanescentes da gestão Pimentel (PT). Seria ele, na visão do vereador, o responsável por impor dificuldades para o município. Ele teria uma relação de rivalidade com o prefeito de Pouso Alegre, Rafael Simões (PSDB).

Mas quem responde pela Cohab, desde 29 de março, é o servidor de carreira, e ex-quadro da gestão Anastasia (PSDB), Bruno Oliveira Alencar, conduzido ao posto pelo Conselho de Administração da Cohab Minas. Informado pela reportagem da saída de Alessandro, o vereador, seguiu contestando a mudança repentina e a falta de explicações.

Ele contou à reportagem que, na última semana, voltava à sede da Cohab Minas, na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, em sua quarta visita na tentativa de acelerar a inserção do município no programa 'Cohab Mais Perto', iniciativa a partir da qual se instalaria uma representação da companhia de habitação na cidade. A medida é considerada fundamental para por fim a anos de espera de cerca de 2,3 mil moradores que ainda aguardam a liberação das escrituras de suas casas, frutos de programas tocados pela companhia. O problema afeta famílias de bairros como São Cristovão, Esplanada, Jardim Mariosa, dentre outros.

Segundo o parlamentar, nas últimas visitas, ficara acertado que o próximo passo para abertura da representação seria o treinamento de um servidor da Prefeitura. Era para ser uma visita de acompanhamento do desenrolar do processo, mas ele foi informado pela assessora de Apoio Institucional Luciana Alberto Almeida que a instalação do escritório estava suspensa e que ela não saberia explicar para o político o motivo.

O R24 entrou em contato com a assessora, que não quis gravar entrevista. Segundo ela, as informações deveriam ser colhidas com a nova chefe de Gabinete da Cohab, Letícia Torres, que também não foi localizada pela reportagem.

Foi possível apurar, no entanto, que o programa 'Cohab Mais Perto' atua hoje com cerca de 278 municípios. Pouso Alegre faria parte de um conjunto entre 13 e 18 municípios que aguardavam o treinamento de seus correspondentes para a abertura das representações da Cohab em seus respectivos territórios. Mas o processo foi suspenso pela nova gestão da Companhia.

De seu lado, a Prefeitura de Pouso Alegre afirma que "as tratativas para implantação do Programa 'Cohab mais Perto' (...) ainda estão em andamento". A reportagem questionou a assessoria de comunicação da Cohab Minas sobre a suspensão do município, sobre a atual situação do programa 'Cohab Mais Perto', quanto às pendências dos mutuários de Pouso Alegre e sobre quais as medidas adotadas pela companhia para solucioná-las. As respostas foram vagas.

Segundo a nota enviada à reportagem, a gestão empossada em abril "identificou pouca eficiência" no programa e, após algumas análises, concluiu-se que ele "entregava resultados mais políticos do que técnicos, não atingindo assim, em sua totalidade, seu público alvo, que é o mutuário da Cohab Minas".

Apesar das críticas ao programa, a nota não deixa claro se ele será descontinuado ou a que outras consequências a avaliação negativa pela atual gestão poderiam levar. A reportagem insistiu no esclarecimento: "Poderiam ser mais claros acerca do programa? Ele será encerrado?", mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.

Sobre o número de mutuários e suas pendências, a Cohab não disponibilizou nenhuma informação, disse que suas "bases de dados estão em fase de estudos e refinamento para que seja concedida maior transparência na prestação de informações ao cidadão".

>> Confira a íntegra das perguntas enviadas à Cohab Minas e a resposta dada pela companhia:

Perguntas enviadas no dia 26 de junho pela redação do R24:

1. A Cohab confirma que o município está suspenso do programa?

2. Qual o atual panorama do 'Cohab Mais Perto'. A quantos municípios ele atende? Há perspectiva de expansão? Se sim, para quantas cidades?

3. Qual o número exato de pendências entre imóveis de Pouso Alegre? Quais os problemas mais comuns? Quais as estratégias adotadas pelo órgão para ajudar a solucionar essas pendências?

Nota enviada pela assessoria de comunicação da Cohab Minas em 27 de junho:

A atual gestão, empossada em abril do corrente ano, identificou pouca eficiência no Programa Cohab Mais Perto. Após algumas análises, constatou-se que o programa entregava resultados mais políticos do que técnicos, não atingindo assim, em sua totalidade, seu público alvo, que é o mutuário da Cohab Minas.

Informamos que a atual gestão tem evidado esforços para implantação de ações estruturadas que promovam a solução dos passiveis encontrados, com resultados de maior impacto para o cidadão, em especial, o mutuário.

Salientamos, ainda, que nossas bases de dados estão em fase de estudos e refinamento para que seja concedida maior transparência na prestação de informações ao cidadão.

Últimos questionamentos enviados pela redação do R24 em 28 de junho:

Poderiam ser mais claros acerca do programa? Ele será encerrado? Será encerrado nas cidades onde ele já funciona? Ou apenas não será estendido a outras cidades?

Até o fechamento desta reportagem, a assessoria de comunicação da Cohab não havia retornado.

#Política

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