• Adevanir Vaz

Em Pouso Alegre, Zema compara previdência a pirâmide financeira e diz que vai privatizar a Cemig


Zema reunido com os prefeitos em Ouro Fino - Foto: Rede Moinho 24

O governador do Estado de Minas Romeu Zema (Novo) passou pelo Sul de Minas nesta quinta-feira, 04. Em reuniões com prefeitos e lideranças empresariais defendeu a reforma da previdência de forma enfática como único caminho para tirar Minas da crise, pediu paciência aos prefeitos e afirmou que a Cemig será privatizada.

"Eu peço a todos vocês: nós precisamos desta reforma da previdência, tanto a da União quanto a dos estados e municípios. Aqueles que tiverem acesso aos deputados federais que cobrem isso, peçam, porque a União resolvendo o problema, os estados resolvendo, isso significa que vai sobrar dinheiro para aquilo que realmente é importante (...) a questão da saúde, segurança, educação (...) infraestrutura", apelou o governador no discurso que fez no auditório da FIEMG, em Pouso Alegre.

Giro pelo Estado

A visita de Zema ao Sul de Minas começou cedo: em Ouro Fino, se reuniu com 36 prefeitos da região. Foi lá que o prefeito André Marques apresentou as reivindicações de Borda da Mata. Na sequência, em Jacutinga, participou da inauguração da primeira fábrica de vidro do Estado e, em Pouso Alegre, voltou a se reunir com prefeitos e com a diretoria regional da FIEMG.

A passagem de Zema pela região faz parte do que o governo estadual chama de ‘Giro pelo Estado’, com visitas regionais que costumam ocorrer a cada 15 dias.

Previdência e privatização

Repisando o discurso já feito em outras ocasiões, o governador voltou a falar dos cortes que tem promovido no Estado, dando exemplos de funcionários dispensados pela administração e prédios que deixaram de ser usados, entre outras regalias.

O enorme esforço fiscal e a cruzada contra os perdulários, porém, não surtiram efeito na trajetória explosiva da dívida mineira, como admitiu o próprio político. Segundo ele, o déficit orçamentário do Estado está na casa dos R$ 12 bilhões por ano. "Quando sairmos daqui hoje, a dívida terá aumentado em R$ 1,5 milhão", pontuou.

Zema, no entanto, garantiu que não aumentará impostos. Segundo ele, a solução para resolver o déficit fiscal é aumentar a arrecadação do Estado a partir da dinamização da economia, o que, para o governador, será possível fazer reduzindo a burocracia para "quem trabalha e gera emprego". Seus alvos principais são o código tributário e a legislação ambiental, que devem ser simplificados.

Reforma da Previdência no curto prazo

No curto prazo, porém, a grande aposta do governador parece ser a reforma da Previdência, pauta que defendeu enfaticamente, chegando a comparar o regime atual a um conhecido crime financeiro.

"A nossa previdência, em suma, ela é uma pirâmide financeira da forma que ela está hoje. Aquele Telex Free e outros escândalos que nós já tivemos quebraram rapidamente porque as pessoas sacavam as aplicações em um ano, em dois anos. A previdência só não quebrou, porque o saque é em 30 anos, em 25 anos", digrediu o político.

Privatização da Cemig

Para o governador, a Cemig, empresa de economia mista que tem o estado como seu maior acionista, perdeu sua capacidade de investimento para ampliar o fornecimento de energia. O gargalo estaria prejudicando a capacidade de expansão da produção.

O político enxerga uma única solução para o problema, a privatização. "Essa empresa tem um problema seríssimo: o dono dela, o sócio dela é o Estado. Ela precisa investir nos próximos três anos e meio 21 bilhões de reais para poder sanar todas essas pendências [os investimentos]. E ela só vai gerar de caixa R$ 6 bilhões", apontou.

"Qual a alternativa nossa? Tirar remédio de quem está morrendo e colocar na Cemig?", questionou para, em seguida, afirmar que a privatização é a solução e que a atual situação da empresa se deve, em parte, a indicações político-partidárias que não levaram em consideração a capacidade técnica dos profissionais.

Perguntas sem respostas

Em sua visita, Zema quase não falou com a imprensa, a não ser nos momentos em que foi surpreendido por repórteres que seguiram de perto sua agenda. Não houve, porém nenhum momento dedicado a responder perguntas mais específicas da imprensa local. Pautas como a crise financeira dos hospitais regionais, que ameaçam fechar as portas por falta de repasses do governo do Estado, e a precariedade da MG-290 ficaram sem um esclarecimento mais contundente do político.

Para driblar a imprensa, Zema deixou o auditório da FIEMG por um portão lateral que, segundo funcionários do local, foi aberto com dificuldade já que não era usado há muitos anos.

O prefeito Rafael Simões discursa durante encontro entre prefeitos e governador na sede da FIEMG, em Pouso Alegre - Foto: Rede Moinho 24

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