Norte-americano teria se enforcado em cela: ele deixou carta para familiares


Sean teria cometido suicídio em sua cela, no presídio de Pouso Alegre. Ele deixou três cartas para os familiares

O norte-americano encontrado morto na manhã desta sexta-feira, 21, em uma cela do presídio de Pouso Alegre pode ter se enforcado. A informação consta em uma comunicado da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais.

Sean Karl Grebinge, de 48 anos, havia sido preso na quarta-feira, 19, pela Polícia Federal com apoio da Policia Militar, no bairro Cidade Vergani. Ele era procurado pela Interpol como principal suspeito de ter matado a esposa.

O crime ocorreu em 2013 no estado de Louisiana (EUA). O corpo da mulher nunca foi encontrado. A prisão do norte-americano foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Seu processo de extradição para os EUA já havia iniciado.

O comunicado das autoridades estaduais de Minas registra que Sean estava em uma cela isolada do presídio e foi encontrado por volta das 8h30 desta sexta-feira (21) durante a entrega do café da manhã aos detentos.

"O interno foi encontrado sem os sinais vitais, com uma “tereza” – corda feita de pedaços de tecido – amarrada ao pescoço nas grades da cela. Imediatamente, os policiais penais foram acionados e constataram o óbito do interno. Grebinger não dividia cela com outros presos. No espaço foram encontradas três cartas destinadas aos familiares", anota o documento como mais uma evidência do suicídio.

Sena vivia no Brasil desde 2013, quando teria fugido dos EUA após matar a esposa. Por aqui ele se casou com uma brasileira. Ele vivia com ela e os dois filhos que teve com a esposa norte-americana, um de 15 e outro de 17 anos. Durante a semana, os jovens retornaram aos EUA, onde passarão a viver com a avó.

Implicações da morte

A morte do norte-americano, ainda que tenha sido suicídio é tratada como um caso bastante delicado, já que envolve questões diplomáticas e o preso estava em poder do Estado brasileiro. A Polícia Civil já investiga as circunstâncias da morte e um procedimento interno será instaurado no presídio para apurar o fato de forma administrativa.

O caso

Grebinger foi preso na tarde de terça-feira, 18, em Pouso Alegre, em uma operação com desdobramento internacional, que uniu a Polícia Federal e Militar. Trata-se de um cidadão dos EUA, listado entre os mais procurados do mundo pela Interpol na chamada 'lista vermelha' - (Difusão Vermelha), dedicada a crimes graves como tráfico intenacional e assassinatos. Ele é acusado de ter matado a esposa, nos EUA, em 2013.

O foragido foi preso no Cidade Vergani, onde residia com sua esposa brasileira. A polícia chegou até ele por conta de um procedimento padrão. Em 31 de janeiro, ele deu entrada na Polícia Civil de Pouso Alegre por ter agredido a mulher. Por se tratar de um estrangeiro, o delegado Renato Gavião decidiu comunicar a Polícia Federal, em Varginha. A informação foi então repassada à superintendêcia da PF, em Belo Horizonte. Os pontos se juntaram.

Autorização do STF

Para que a prisão pudesse ocorrer, as autoridades brasileiras precisaram de uma autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que emitiu o mandado para fins de extradição. Depois de preso, o foragido passaria pelo exame de corpo de delito e seguiria para o presídio de Pouso Alegre, onde fica à disposição das autoridades.

O que diz o FBI

De acordo com o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos, o FBI, há uma longa lista de evidências que apontam para o homem de 48 anos como o assassino de sua esposa. As autoridades acreditam que ele também tenha ocultado o corpo, que jamais foi encontrado.

Além do homicídio, ele teria um histórico de abusos contra a mulher, que havia, inclusive, obtido medidas protetivas contra ele na justiça americana.

Ele teria desembarcado em São Paulo (SP) duas semanas após o crime. As declarações que deu ao entrar no país seriam falsas. Ele disse às autoridades brasileiras que fora um agente do contraterrorismo nos EUA e que seria vítima de perseguição política. Ele, então, se casou com uma brasileira e obteve a permissão para residir no país.

A íntegra da nota da Secretaria de Segurança Pública de Minas:

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, por meio do Departamento Penitenciário (Depen MG), informa que na manhã desta sexta-feira (21/2), por volta das 8h30, durante a entrega do café da manhã aos detentos que cumprem pena no Presídio de Pouso Alegre, foi constatado o óbito do preso Sean Karl Grebinger, 48 anos.

O interno foi encontrado sem os sinais vitais, com uma “tereza” – corda feita de pedaços de tecido – amarrada ao pescoço nas grades da cela. Imediatamente, os policiais penais foram acionados e constataram o óbito do interno. Grebinger não dividia cela com outros presos. No espaço foram encontradas três cartas destinadas aos familiares.

A perícia da Polícia Civil foi acionada para investigar as circunstâncias da morte e o presídio, por sua vez, irá instaurar um procedimento interno para apurar administrativamente o fato.

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