Idoso é preso em Borda da Mata, suspeito de integrar grupo que pirateava cursos

Quadrilha teria faturado R$ 15 milhões ao longo de 20 anos pirateando cursos online. Prejuízo para as empresas que produziam o material chega a R$ 67 milhões. Ao todo nove pessoas foram presas no Rio de Janeiro e Minas Gerais em ação conjunta da Polícia Civil dos dois estados


“Operação Black Hawk” mobilizou uma ação conjunta das polícias civis de Minas Gerais e do Rio de Janeiro


Um idoso de 71 anos foi preso na manhã de hoje em Borda da Mata suspeito de integrar uma quadrilha que pirateava cursos online há pelo menos 20 anos. Lothar Alberto Rossmann é apontado como o hacker que invadia as páginas de cursos para roubar o conteúdo das plataformas.


De acordo com as investigações, ele possui conhecimentos avançados em Tecnologia da Informação e conseguia até quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais. Ou seja, conteúdos que eram protegidos por senha e em geral não podiam ser baixados - apenas vistos - eram desviados e salvos por Lothar.


Além dele, sua filha, de 35 anos, foi presa em Juiz de Fora e também é suspeita de integrar a quadrilha, que teria faturado cerca de R$ 15 milhões ao longo de 20 anos e dado um prejuízo de cerca de R$ 65 milhões às empresas que produziam os conteúdos.


As prisões de pai e filha ocorreram no âmbito da “Operação Black Hawk”, que mobilizou uma ação conjunta das polícias civis de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. Os agentes cumprira nove Mandados de Prisão e 19 Mandados de Busca e Apreensão. De acordo com a operação, a associação criminosa pirateava cursos preparatórios e controlava a maior plataforma virtual de cursos pirateados do Brasil.


Dentre os delitos imputados aos suspeitos estão lavagem de dinheiro, furto qualificado, violação de direitos autorais e associação criminosa. Ao todo, nove pessoas foram presas:


  1. Alessandro Jesus Cabral, soldado PM;

  2. Antonio de Jesus Cabral, irmão de Alessandro e apontado como chefe da quadrilha;

  3. Veronica de Jesus Conceição, mãe de Alessandro e Antonio, suspeita de ser laranja;

  4. Gilmar de Jesus da Costa;

  5. Caio Victor Oliveira dos Santos;

  6. Nelson Faria Coelho Junior;

  7. Daniel Azeredo dos Santos;

  8. Leticia Adele Cardoso Rossmann;

  9. Lothar Alberto Rossmann -- apontado como o hacker que invadia páginas de cursos para roubar conteúdo.


A ação, desencadeada nas cidades do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Saquarema, Araruama e nas cidades mineiras de Juiz de Fora e Borda da Mata, conta com um efetivo operacional de mais de 100 agentes da Polícia Civil de Minas Gerais, por meio das Delegacias Regionais de Pouso Alegre e de Juiz de Fora, do DGPE (Departamento Geral de Polícia Especializada), da 8ª DPJM (Delegacia de Polícia Judiciária Militar da PMERJ), além do apoio logístico do 4º DPA (Departamento de Policiamento de Área).

Lothar Alberto Rossmann é apontado como o hacker que invadia páginas de cursos para roubar conteúdo


A investigação

Para desbaratar a quadrilha, os investigadores se valeram de quebras de sigilos telefônicos, telemático, bancário e fiscal, entre outras. Os agentes descobriram que o grupo comercializou milhares de cursos preparatórios pirateados, inclusive para os concursos das Polícias Civis dos estados, Polícia Federal e Rodoviária Federal, além de cursos das carreiras fiscais e jurídicas, causando um prejuízo estimado em 65 milhões de reais aos cursos oficiais.


Um dos clientes identificados na investigação é funcionário do Tribunal de Contas de um estado e utilizou a rede (IP) do o próprio Tribunal para fazer a compra de um curso pirateado. Os compradores identificados na investigação estão sujeitos ao crime de receptação, com pena de até 4 anos e, podem ser, inclusive, desclassificados do certame.

Os cursos preparatórios, cujos valores oscilam entre quinhentos e dez mil reais, eram pirateados e vendidos pelos investigados em seu site por até 10% do valor original. O idoso preso em Borda da Mata era o responsável por quebrar a criptografia do streaming de vídeo dos cursos oficiais e transferir os arquivos para um servidor próprio, onde as aulas eram disponibilizadas para os clientes das plataformas virtuais gerenciadas pelo principal suspeito de liderar o grupo, de 35 anos, preso no Rio de Janeiro, ex-aluno da AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras). De acordo com a investigação, ambos atuam nessa atividade criminosa há quase vinte anos.


Entre outros suspeitos de integrar a quadrilha, estão um Policial Militar, três homens de 20, 22 e 44 anos, e outras duas mulheres de 42 e 56 anos, todos presos no Rio de Janeiro.

Ocultação de valores

Durante a investigação, os agentes descobriram que para ocultar a grande movimentação financeira de origem ilícita, o líder utilizava seus parentes como laranjas. Durante o período foi investigada a mãe dele, que possui um salão de beleza e teve movimentação bancária de 1,5 milhões de reais e ganho líquido próximo a quinhentos mil reais em operações de bolsas de valores, de acordo com o Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do COAF.


Outro artifício utilizado para ocultar o capital obtido criminosamente era o de manter os bens adquiridos em nome dos vendedores. Com essa mesma finalidade os investigadores identificaram também uma empresa fantasma sediada em um shopping de luxo na capital paulista.

Na ação de hoje, os policiais fazem o levantamento do patrimônio dos envolvidos no esquema criminoso para identificar os bens adquiridos com dinheiro de origem ilícita e embasar posterior sequestro judicial dos recursos.

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