Liberada clínica de dentistas que romperam quarentena em Pouso Alegre

Clínica Abrange havia sido interditada depois que casal de dentista seguiu atendendo pacientes mesmo após um deles testar positivo para doença. Ao menos 150 pacientes tiveram contato com os profissionais que foram alvo de denúncia ao MP e processo no CRO. Teste de segundo dentista deu negativo para covid-19

Clínicas do casal de dentistas começam a ser liberadas após interdição por rompimento de quarentena


A clínica odontológica Abrange foi liberada para funcionamento na manhã do último sábado, em Pouso Alegre. Ela pertence ao casal Gustavo de Souza Carvalho e Maria Cândido Sampaio. Eles são acusados pelas autoridades de saúde de romperem a quarentena e seguirem atendendo pacientes mesmo depois que Sampaio testou positivo para a doença.


Outras duas clínicas em que o casal atua serão liberadas para o funcionamento: uma em Santa Rita do Sapucaí outra em Congonhal. A Abrange foi interditada pela Vigilância Sanitária Municipal de Pouso Alegre no final da tarde do dia 17 de abril. Na manhã do dia seguinte, em um sábado, as clínicas de Santa Rita e Congonhal também seriam interditadas.


Como a vigilância chegou à clínica

Até aquela sexta-feira, 17 de abril, apenas a dentista Maria Cândido tinha suspeita para a covid-19. Ela havia manifestado sintomas da doença no dia 11 de abril, quando se consultou com um médico, que pediu o exame. A partir daquele momento, qualquer pessoa deveria se manter em quarentena. A recomendação é feita no ato pelos órgãos de saúde, mas as regras para um profissional de saúde, que lida com diversos pacientes todos os dias são ainda mais rígidas.


Dois dias depois, ela faria a coleta de material para confirmar se estava com a doença. A indicação aí seguia sendo de isolamento, não apenas dela, mas também do marido, devido ao fato óbvio da convivência diária.


No dia 17 de abril, quando saiu o resultado positivo, a Vigilância Sanitária precisava contatar a dentista para informar. Tentou acioná-la de modo particular, sem sucesso. Foi então que foi feito o contato com a clínica. Na conversa com os funcionários, a vigilância quis saber se os dentistas estavam atendendo. Foi informada que Gustavo estava e que Maria Cândido havia dado expediente pela manhã. Estava caracterizado o rompimento da quarentena.


A descoberta gerou um grande alerta entre as autoridades de saúde. Afinal, naquele momento, dois dentistas, um com teste positivo para covid-19, outro considerado 'positivo epidemiológico' - pela proximidade com o caso confirmado, estavam atendendo pacientes normalmente. Não se tinha ideia do número de pacientes que haviam entrado em contato com os profissionais.


A Vigilância Sanitária de Pouso Alegre chegaria à clínica com apoio da Polícia Militar já no final da tarde. No local, encontrou apenas Gustavo. Além do rompimento da quarentena, a vigilância observou que ninguém usava máscara. A clínica foi imediatamente lacrada e o episódio levaria a Secretaria Municipal de Saúde a apresentar uma denúncia no Ministério Público Estadual contra os profissionais.


Até esta segunda-feira, 27, 10 dias depois do ocorrido, a Prefeitura de Pouso Alegre ainda não informa o número de pacientes que entraram em contato com o casal na clínica. Também nesta segunda, saiu o resultado do exame de Gustavo para covid-19: deu negativo. Ainda de acordo com a Prefeitura, até o momento não há nenhum caso cofirmado da doença entre pacientes que entraram em contato com o casal.


Casal rebate acusações

Por meio de nota, redigida em nome da clínica, o casal negou as acusações de rompimento da quarentena. Os dentistas afirmaram que não foram orientados a seguir isolamento e afirmaram que a dentista que testou positivo para a doença fez o teste por conta própria. A nota também afirma que a dentista não teve sintomas e que colheu o material para exame por pertencer ao "grupo vulnerável à contaminação, mesmo não tendo nenhum sintoma da covid-19". A afirmação contraria o informado pelas autoridades de saúde. Segunda elas, a dentista manifestou sintomas no dia 11 de abril.


Mais clínicas fechadas

O estrago epidemiológico produzido pelo casal ficaria ainda maior no dia seguinte. Eles haviam atuado ao longo dos últimos dias em outras duas clínicas odontológicas: em Santa Rita e Congonhal. As duas cidades interditaram os respectivos estabelecimentos.


Em Santa Rita, a Secretaria de Saúde teve ajuda de uma funcionária da clínica para identificar 125 pacientes, que passaram, então, a serem monitorados. Em Congonhal, foram identificadas outras 25 pessoas. Em nenhum dos casos, até o momento, há casos confirmados da doença entre os pacientes.


Alvo de denúncia no MP, casal vai também vai enfrentar processo no CRO

A denúncia dos órgãos de saúde ao Ministério Público Estadual é só um dos processos que o casal de dentista deve enfrentar. Ele também terão que prestar contas aoConselho Regional de Odontologia de Minas Gerais. De acordo com o órgão, "sua equipe de Fiscalização está acompanhando os fatos recentes ocorridos na cidade de Pouso Alegre/MG e Santa Rita do Sapucaí/MG, juntamente com as autoridades locais".


Ainda de acordo com o conselho, o profissional que desrespeitar as normas dos órgãos de saúde estão sujeitos às penalidades disciplinares éticas graves, que prevê desde advertência até a cassação do exercício profissional, conforme prevê o artigo 18 da Lei 4.364 de 1964.

Editado por Capitólio Ass. E. R. Públicas
Redação: (35) 3422-2653
redemoinho24@gmail.com
Comercial: (35) 99931-8701 | (35) 3422-2653
comercialredemoinho24@gmail.com