Momentos da Festa do Rosário de Silvianópolis

Seu Nendi e Sô Filipe, irmãos de coração, de fé, de congado




Existem momentos na vida que nos perguntamos? Como eu estou aqui! Este foi um destes dias.


Caminhando e fotografando, como sempre ao lado dos ternos de congados, a manhã do Levantamento do Mastro de 2003 reservava um momento especial e magnífico. Fui até a casa do Seu Nendi, Guarda Coroa e antigo capitão da Congada de Nossa Sra. do Rosário e lá o encontrei sentado, com olhos atentos e sempre com seu jeito simples e amável, esperando seu fiel companheiro de vida e de congado, o grande Mestre Sô Filipi.


Logo que Sô Filipi chegou, presenciei o abraço fraterno e os dizeres: “Que Nossa Sra. Do Rosário e São Benedito o acompanhe cumpadi!”


E foi assim: com a companhia dos santos congadeiros, Seu Nendi começou sua caminhada até a Igreja de Nossa Senhora Aparecida e São Benedito no Morro, acompanhado de suas filhas e do amigo de infância. Pelo trajeto, moradores que há dias não o via, saiam de casa para abraça-lo e dizer palavras de incentivo. “Estamos rezando por você Seu Nendi.”


Seu Nendi caminhava para pagar sua promessa. Naquela semana terminara o tratamento de quimioterapia e não poderia ser diferente. Para aqueles que estão lendo este texto, e conhecia esta amizade, sabe perfeitamente do que estou dizendo. Não poderia acontecer este “pagar a promessa” sem o fiel amigo ao lado.


Infelizmente neste mesmo ano, Seu Nendi nos deixou e alguns anos depois Sô Filipe foi encontra-lo. Hoje devem estar bailando e cantando as danças e as cantorias dos congados ao lado de quem sempre reverenciaram, Nossa Sra. do Rosário, São Benedito e Sta. Ifigenia.


Falamos aqui da tradição que nasce da alma e se sustenta na fé popular, da amizade verdadeira e vidas que se cruzam para promoção da cultura popular. Em seus 238 anos de tradição, na Festa do Rosário de Silvianópolis existem um espaço longo para ser contato pelas vidas destes dois irmão de congado, de cultura, de fé.


São dias assim que, na fé, na dor, na amizade, na tradição da cultura popular que faz a diferença é constrói um mundo melhor.


Ainda penso: como eu, aos 22 anos estava lá!? Só teria sentindo se fosse para contar ao mundo e não deixar esta história se findar. Que nas terras de Santa Ana do Sapucaí o tambor do congado, da senzala, dos gritos de liberdade, das orações continuam ao longo de 236 anos de tradição, e que o mundo moderno não vai acabar.


Como minha amiga Tia Carlina dizia: O povo de Silvianópolis arruma sua casa na Festa do Rosário para esperar suas visitas e mostrar nossa tradição. Para muitos, a Festa do Rosário é tão importante como o Natal. Pois a família santanense se reuni e amigos de infância se encontram. Assim, nossa tradição jamais vai morrer e os mais novos aprendem a amar e respeitar.


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