Pouso Alegre não sistematiza dados e índice de ocupação hospitalar gera dúvidas

Informação sobre ocupação de leitos destinados à covid-19 não consta no boletim epidemiológio e não tem critérios claros para divulgação. HCSL chegou a divulgar uma vez por semana, mas suspendeu informe sem dar explicações




A divulgação de dados da ocupação hospitalar por pacientes com Covid-19 em Pouso Alegre ainda não foi sistematizada pelo município. A informação não consta nos boletins epidemiológicos diários, como faz, por exemplo a cidade de Poços de Caldas, nem fica disponível em nenhum outro canal. Ontem, 08, a Secretaria Municipal de Saúde, após inúmeros apelos da imprensa, até divulgou os dados, mas não sinalizou se a informação passará a constar em seus informes.


Segundo a informação que foi repassada primeiro a um único veículo da imprensa local, haveria 17 inernações em leitos clínicos destinados à covid-19, sendo 11 pacientes suspeitos e seis confirmados. Já nas UTIs destinadas à doença, estariam cinco pacientes com suapeita e oito confirmados, num total de 13 internações.


A unidade de saúde é referência para tratamento da doença na região e pode receber pacientes de até 53 municípios, embora outras cidades tenham passado a integrar a rede de atendimento à infecção.


O HCSL possui hoje 46 leitos de UTI,sendo que 33 deles estão destinados à covid-19 e outros 13 para outras patologias. No geral, o índice de ocupação desses leitos estava, ontem, em 58%. Considerando apenas os 33 leitos de UTI destinados à Covid-19, o percentual de ocupação é de 39,3%.


HCSL interrompeu divulgação do índice de ocupação hospitalar

Em meio ao avanço da pandemia em Pouso Alegre, o HCSL deixou de divulgar na sexta-feira, 03, o índice de ocupação hospitalar por pacientes com confirmação ou suspeita de Covid-19.


Nas duas semanas anteriores, o hospital havia publicado a informação em suas redes sociais, alegando que se tratava de uma maneira de dar "transparência" à sua atuação na pandemia. O R24 tentou contato com a assessoria de imprensa do HCSL para saber o motivo de o índice não ter sido divulgado, mas não obteve retorno.


A última publicação do hospital a respeito da taxa de ocupação ocorreu no dia 26 de junho, quando, de acordo com o informe, estariam ocupadas nove das 33 (27,3%) UTIs adultas destinadas à Covid-19. Na semana anterior, a ocupação estava em 18,2%. Já os leitos clínicos destinados à doença, também conforme o divulgado naquela data, teriam 11 de 60 (18,3%) vagas ocupadas.


Vereador diz que divulgação da ocupação hospitalar pelo HCSL ocorreu a seu pedido

Desde o início de junho, o R24 tenta obter junto ao município e ao Hospital das Clínicas Samuel Libânio os dados referentes à taxa de ocupação hospitalar especialmente dos leitos destinados ao tratamento da covid-19.


No dia 19 de junho, em uma sexta-feira, o HCSL publicou seu primeiro boletim a respeito. Quatro dias depois, durante a sessão virtual da Câmara, o vereador Leandro Morais (PSDB) deu a entender que a divulgação foi feita a pedido seu, após receber uma sugestão de um morador.


No entanto, a divulgação iniciada em 19 de junho se repetiu no dia 26, mas cessou desde então. O R24 ainda aguarda um retorno do HCSL acerca da interrupção dos informes.


Opnião do R24

A transparência de dados durante a pandemia tem sido um dos itens mais cobrados dos órgãos públicos. A precisão deles, sua agilidade e confiabilidade ajudam a sociedade como um todo a tomar decisões individuais e coletivas diante de uma crise de saúde que já ceifou dezenas de milhares de vidas no país e colocou em dificuldades econômicas outros milhões de brasileitos.


Uma das informações mais imprescindíveis é justamente a taxa de ocupação hospitalar. A capacidade de resposta do sistema diante de um novo vírus é a principal variável considerada pelos órgãos de saúde de todo o mundo para adotar medidas como o isolamento social e até a interrupção de atividades econômicas.


A ausência de sistematização de dados tão sensíveis no momento em que o município registra recordes de mortes e contaminação pela Covid-19 é preocupante. Assim como causa estranheza que agentes políticos aparentem ter acesso privilegiado ou influência sobre a divulgação desses dados.


A transparência e a informação precisa é a melhor arma para que a sociedade possa se organizar em torno de respostas coletivas eficientes a um desafio sanitário sem precedentes para a atual geração. Reportar os dados com imparcialidade e correção é um dever moral e responsabilidade institucional do poder público, além de ser o mínimo que se pode esperar de noossas autoridades constituídas.

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