Pouso Alegre tem ao menos cinco pré-candidatos à prefeitura, mas oposição quer unidade contra Simões


Em fase de articulação, candidatos buscam apoio para se viabilizarem. Oposição tenta concentrar forças em um único nome para rivalizar com o atual prefeito, que tentará a reeleição e tem um cálculo político complexo pela frente


Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que adiou as eleições municipais por conta da pandemia, os pouso-alegrenses irão às urnas no dia 15 de novembro escolher prefeito e vereadores para mandatos entre 2021 e 2024. Mas, a quatro meses do pleito, o jogo eleitoral está embaralhado na cidade.


A reviravolta provocada pela pandemia e a incerteza de datas e prazos para a eleição podem ter pesado, mas o fato é que o suposto favoritismo do atual prefeito Rafael Simões (DEM), que tentará a reeleição, por um lado minou as aspirações de algumas lideranças em seu próprio campo e, por outro, tem dado pouca margem de manobra para a oposição, que também encontra dificuldade de se articular dada a sua fragmentação.


O resultado deste cenário é que ao menos quatro partidos têm pré-candidatos assumidos para tentar desbancar o democrata, embora operem, de fato, na esperança de obter algum consenso para concentrar esforços em um único candidato que tenha condições de polarizar com o atual prefeito.


Os nomes postos como pré-candidatos até o momento, além do atual prefeito Rafael Simões, são: o do advogado Donizetti Andrade (Podemos), do professor Luiz Carlos (PSOL), do empresário e ex-vice-prefeito Toni Mariosa (PP) e do Sargento Silveira (PSL).


Entre os partidos que já propuseram seus nomes, com exceção do PSOL, há algum nível de articulação em diversas frentes, mas há aqueles que estão mais empenhados na construção de um nome capaz de unir a oposição sob uma única bandeira. É o caso do Cidadania e do PV. As siglas cogitam o nome do advogado Valdomiro Vieira, que já tem um histórico de enfrentamento com Simões nos bastidores do Direito em Pouso Alegre. Ele, porém, não confirma a pré-candidatura. O Cidadania abriga ainda o ex-prefeito Enéas Chiarini, que pode ser outra alternativa.


As conversas em torno da alternativa única une também o MDB, que chegou a propor o nome do pastor e ex-vereador Airton Zorzi, outro que não confirmou sua pré-candidatura, embora ela tenha sido aventada por membros da sigla. Na desejada frente ampla contra o atual prefeito se engajaria ainda o partido Rede Sustentabilidade, que não pretende lançar candidatura própria, mas deve apoiar um nome ligado à oposição.


O Partido dos Trabalhadores, que governou a cidade de 2009 a 2016 sob Agnaldo Perugini, afirma que trabalha em um nome para concorrer. Se optar por este caminho terá que enfrentar o desgaste ainda remanescente de sua última gestão à frente do município.


O xadrez de Simões

Favoritismo não ganha eleição e, no caso de Rafael Simões, nem mesmo traz tranquilidade. Isso porque o atual mandatário, além de submeter sua gestão à avaliação popular na esperança da recondução, tem um cálculo político complexo a fazer. A aritmética envolve suas aspirações políticas na busca por se eleger deputado em 2022 e o processo judicial que responde por supostos desvios de medicamentos no Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL) quando era o presidente da FUVS, mantenedora financeia da unidade de saúde.


Em ambas as variáveis, Simões tem uma decisão crucial a tomar: a escolha de seu candidato a vice. Teria que ser um nome de sua mais estrita confiança, num caso e no outro: seja para sua saída para a candidatura à Assembleia ou à Câmara Federal, seja no caso de a denúncia por desvios no HCSL avançar ao ponto de uma condenação em segunda instância antes das eleições ou de uma hipotética diplomação para um segundo mandato, o que, em tese, conforme a Lei da Ficha Limpa, o privaria de seus direitos políticos, automaticamente o impedindo de se candidatar ou de assumir o novo mandato.


Dois especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo R24 acreditam que a hipótese de a ação chegar a ser julgada em segunda intância ainda este ano é bastante remota, já que ela sequer teve o mérito julgado em primeira instância.


O processo tramita na Justiça Federal de Pouso Alegre. Simões tentou diversos recursos nas cortes superiores contestando a competência da vara federal, mas acabou derrotado. Apesar disso, ganhou tempo, que foi ainda mais dilatado pela pandemia.


Caso a condenação ocorra na vigência de um possível segundo mandato, a hipótese de perda do mandato ocorreira apenas se houvesse sentença condentatória transitada em julgado, afirmam os especialistas. Neste caso, o atual prefeito poderia ter seus direitos políticos suspensos, sendo impossibilitado de seguir à frente de qualquer cargo eletivo.


De qualquer forma, para efeitos de planejamento, os cenários devem ser considerados pelo político.


Fazendo as contas

Nos cálculos de Simões, entra mais uma variável: o deputado Dr. Paulo (Patri). Eleito seu vice em 2016, o médico conquistou uma vaga na Assembléia Legislativa de Minas (ALMG) depois de uma votação expressiva na região, alçando, depois de 16 anos, um nome pouso-alegrense aos assentos do legislativo estadual. O feito teve como padrinhos o atual prefeito e seu apoiador de primeira hora, Bilac Pinto (DEM).


Há quem aposte que Simões e Dr. Paulo possam trocar de assentos. Indo o atual prefeito à disputa para a Assembleia em 2022 e o atual deputado à disputa para a prefeitura em 2024. Seria ousado. Mas a autoconfiança do grupo está em alta. Para que essa jogada tenha chance de dar certo, o democrata teria que combinar com seu candidato a vice, que, no caso de releição de Simões, ficaria dois anos à frente da prefeitura, com possibilidades reais de tentar uma reeleição, minando o acordo da dupla.


Outra aposta crível seria a tentativa à Câmara Federal. Nesse caso, o ajuste fino teria que se dar com Bilac Pinto, seu aliado de primeiríssima hora.


Foi por conta desse cenário que chamou atenção o afastamento do coronel Dimas da chefia de Gabinete da prefeitura, e 2 de junho. Braço direito e homem de confiança de Simões, ele se afastou dentro do prazo de quatro meses previstos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que secretários municipais deixem seus cargos caso queiram se candidatar a prefeito ou vice.


Na eleição que levou Rafael Simões ao mandato atual, Dimas, que já era seu braço direito na FUVS, então presidida pelo atual prefeito, chegou a ser cogitado como seu vice. Fontes na Prefeitura, no entanto, garantiram que a exoneração não teria qualquer relação com as eleições.


Em busca de hegemonia na Câmara

Para manter a esmagadora maioria na Câmara, condição que lhe rendeu uma hegemonia política poucas vezes vista na cidade, Simões montou fortíssimas chapas de vereadores em partidos como DEM, PSDB e Patriotas. Nas siglas, estão candidatos já testados nas urnas com expectativa de votos em teto elevado.


Nos cáculos do grupo de Simões, concentrando seus principais candidatos em poucas legendas, estes seriam capazes de atrair um maior número de votos, rendendo três cadeiras ou mais por partido. É uma manobra que trabalha com uma das pricipais mudanças das eleições de 2020: o fim das coligações proporcionais, ou seja, a associação formal entre siglas para somar votos na hora do cálculo do quociente eleitoral, que é a soma de votos válidos dividida pelo número de cadeiras em disputa.


Nem todos os partidos optaram por essa estratégia. A maioria dos candidatos com bom histórico de votação procurou se posicionar em partidos que tinham poucos candidatos na mesma condição, a fim de garantir seu nome entre os mais votados da sigla e aumentar suas chances de eleição caso a legenda atinja o quociente eleitoral. Só as urnas poderão dizer quem fez a escolha mais acertada.

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