Voluntário: professor de PA transforma equipamento de mergulho em respirador contra covid-19

Atualizado: Abr 23

O professor universitário Fernando Almeida se divide entre as aulas online, em uma faculdade de Pouso Alegre, e a cooperação em um projeto que reúne voluntários de diversas universidades para construir ventiladores mecânicos e elétricos e EPIs doados aos hospitais brasileiros para enfrentamento da covid-19. Hospitais da região já recebem ajuda do professor


Enquanto o mundo trava uma batalha épica contra a maior pandemia da história recente, uma grande mobilização reúne professores e voluntários de áreas distintas para por em marcha ações de cooperação espalhadas por todo o globo com o objetivo de salvar vidas. Em uma dessas frentes de mobilização, o professor Fernado Almeida se divide entre as aulas online em uma faculdade de Pouso Alegre e a extensão do coletivo 'COVID-19 Air Brasil' em Minas.


Natural de Santo André (SP), professor Fernado Almeida mora em Cambuí e leciona em Pouso Alegre. Hospitais da região tâm contado com a ajuda do educador na luta contra a covid-19

Como sugere o nome, o grupo está unido em uma corrida que tem entre suas metas fundamentais dar fôlego para os hospitais enfrentarem a pandemia. A iniciativa projeta peças e constrói ventiladores mecânicos e elétricos com tecnologia e bases produtivas nacionais, além de EPIs e outros insumos para abastecer a rede de saúde na batalha contra o SARS-CoV-2, o vírus causador da covid-19.


Enquanto esta matéria é redigida, o vírus, que surgiu em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, província de Hubei, na República Popular da China, já contaminou mais de 2,5 milhões de pessoas e provocou a morte 171 mil pacientes em todo o globo. No Brasil, são 45,7 mil casos e 2.906 mortos.


Diante de um vírus com tamanha capacidade de propagação e que provoca sintomas graves em uma a cada seis pessoas que infecta, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a grande preoucupação das autoridades é impedir que os hospitais entrem em colapso ao receber um grande contingente de infectados.


Solidariedade espontânea

Em uma ponta, as autoridades pregam o distanciamento social, na tentativa de reduzir a velocidade do contágio e dar tempo para que a rede hospitalar consiga dar conta da demanda. Na outra, tenta-se ampliar a estrututura de saúde para aumentar a capacidade de absorção de pacientes. É aí que entram iniciativas de solidariedade espontânea como o 'Air Brasil'.


O grupo começou a se formar por iniciativa do professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Jurandir Nadal. Hoje, conta com voluntários espalhados por todo o Brasil. Dentre eles, o professor Fernado Almeida, que atua no "Ar MG".


Formado em administração e pós graduado em informática empresarial pela Unifei, o professor tem ajudado hospitais da região como pode. Ele chegou a adaptar um equipamento de mergulho para ser usado como respirador. "Estou atendendo as demandas do hospital Ana Moreira Salles de Cambuí, mas já produzi peças para o hospital de Bueno Brandão a pedido de um amigo também professor da UNA e construí válvula para adaptar um snorkel de mergulho existente no mercado para servir de respirador em casos onde respirador invasivo não é necessário ou não está disponível", conta.


Natural de Santo André (SP), o professor está morando em Cambuí, município de origem de sua família. É a partir de lá que ele colocou para funcionar nas últimas semanas suas máquinas de impressora 3D, corte a laser e fresadora CNC. Elas são empregadas na produção de equipamentos que podem ser utilizados no combate e prevenção à covid-19. O suor, o conhecimento e os meios de produção são doados pelo professor. Os insumos para produção contam com a ajuda de apoiadores externos.


O R24 conversou ele pelo aplicativo de mensagens WhatsApp. O professor contou como entrou para iniciativa, discorreu sobre a sensibilidade humana e a capacidade de sentir a dor do outro e projetou as mudanças que estão por vir no mundo do trabalho após a pandemia. A conversa é a que segue:

O que o levou a integrar a iniciativa?

Participo de algumas comunidades de makers no facebook e também de grupos de WhatsApp, onde trocamos informações sobre fabricação digital. No final de março, tive acesso ao grupo do facebook COVID-19 Air BRASIL de onde nasceram várias frentes de trabalho que se desenvolveram Brasil a fora.


Também faço parte do COLETIVO AR MG, que é parte do Coletivo Ar Brasil, que está organizando várias ações tais como: direcionar os esforços na identificação de demandas e necessidades em hospitais, postos de saúde e clínicas; Mapear os fornecedores independentes e industriais; Fazer conexão com iniciativas já existentes;

Na curadoria de projetos, no direcionamento de doações e na gestão de voluntários. Seres humanos são seres coletivos e se sensibilizar com a dor do outro é da nossa natureza. Por isso, senti necessidade de ajudar de alguma forma. Estamos recebendo doações para comprar mais material e poder ajudar ainda mais. Isso faz aumentar minha esperança de que sairemos melhores e com um maior senso de comunidade depois desta pandemia. Quais resultados já foram alcançados? Eu estou fazendo máscaras de proteção, as chamadas face shield, que é uma barreira extra contra o vírus, além da máscara cirúrgica ou N95. Esta proteção é feita com chapa de material transparente fixada em uma armação de material plástico construído em impressoras em 3D. Além disso, estou participando de grupos multidisciplinares que estão desenvolvendo desde capsulas acrílicas de proteção, aumentando a proteção dos profissionais de saúde, válvulas e conexões para respiradores invasivos e não invasivos até mesmo respiradores de baixo custo para uso em emergência. Os equipamentos serão doados aos hospitais?

Sim. Estou atendendo as demandas do hospital Ana Moreira Salles de Cambuí, mas já produzi peças para o hospital de Bueno Brandão, a pedido de um amigo, também professor da UNA, e construí válvula para adaptar um snorkel de mergulho existente no mercado para servir de respirador em casos onde respirador invasivo não é necessário ou não está disponível. Esta solução está sendo utilizada na Itália e a demanda desta válvula chegou até mim através da direção da UNA para atender a Associação do Comércio e Indústria de Pouso Alegre (Acipa).


Quem arca com os custos da iniciativa?

Os materiais são doados pela comunidade e eu trabalho como voluntário, doando os equipamentos e mão de obra.


E como é trabalhar, assim, à distância?

Estou ministrando aulas online e minha rotina de diária mudou muito neste período de confinamento mas acredito que todos estamos de alguma forma nos adaptando ao uso de tecnologia para continuarmos produzindo valor para a sociedade;. Penso que mesmo depois deste momento crítico, o trabalho para a maioria das pessoas nunca mais será o mesmo.



Como trabalha o Coletivo Air Brasil

O grupo é uma iniciativa do professor da UFRJ, Jurandir Nadal, com voluntários espalhados por todo o Brasil.


Estudiosos e profissionais de diversas áreas se dividem em várias frentes de trabalho. Uma delas se dedica ao preparo para a impressão de válvulas para respiradores e EPI´s, enquanto outras duas, uma liderada pela UFRJ e outra pela USP, estão na corrida para desenvolver ventiladores mecânicos e eletro-mecânicos para uso em emergência.


A iniciativa focada nos ventiladores reúne médicos, engenheiros biomédicos e toda a comunidade que possui impressoras 3D, máquinas de corte a laser e fresadoras CNC, além de indústrias nacionais e multinacionais.

Fabricantes de equipamentos médicos enviam seus manuais de serviços para ajudar no desenvolvimento e também facilitar a manutenção dos equipamentos pelas equipes locais. Enquanto isso, o grupo já possui uma frente de trabalho fazendo engenharia reversa no Bird Mark 7 (respirador obsoleto mas que não depende de eletrônica avançada). A ideia é produzi-los em fábricas com equipamentos de ponta.


Uma das iniciativas relevantes do coletivo foi apresentada no início de abril, em transmissão online: um protótipo de respirador pulmonar desenvolvido pelo Hospital Geral de Caxias do Sul (HG) e pela UCS. A transmissão ocorreu pelo canal do YouTube do HG.



Protótipo do respirador mecânico criado pela iniciativa COVID-19 Air Brasil - Foto: divulgação

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