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Morango com leite condensado

 

Quando comecei a trabalhar na Fundação IBGE que soube que Pouso Alegre é uma das cidades em que mais se produz morango no Brasil, toneladas e mais toneladas. E nas andanças que esse trabalho me proporcionou vi as dificuldades dos agricultores: o manuseio delicado, uma frutinha chata, que nasce rente ao chão sem poder tocá-lo, aí então, as lonas para cobrir a terra, lonas para cobrir as plantas do frio, fertilizantes, adubos, agrotóxicos, carências, irrigações, geadas…

 

Colhem-se, assim, algumas muitas frutinhas vermelhas, umas mais doces, outras menos, algumas azedinhas, acomodadas em caixinhas pequenas, encaixando bem os menores ao fundo, e os maiores e mais vistosos por cima, e quatro caixinhas numa caixa maior. Um longo caminho fazem até as gôndolas de supermercados, barracas de feira, barraquinhas em beira de estrada e, só então, nossas geladeiras, fruteiras.

 

Não consigo pensar em sobremesa melhor que morango com leite condensado. Algo extremamente simples e prático: lavar os morangos, cortar alguma parte que esteja amassada ou passada, cortar fora as folhinhas verdes de um corolário seu, lavá-los e fazer o encontro tão esperado, tão harmônico. Abra, então, a lata de leite condensado, ou a caixinha, como preferir, e misture, como quiser, nas quantidades que quiser. Vai combinar! Melhor que o morango sozinho, melhor que o leite condensado sozinho. Bem melhor.

 

Dizem que o paladar muda com o tempo – dizem… dizem tanta coisa… – não sei se procede. De fato, há um período em que a cerveja é amarga para a boca, mas chega a época que ela agrada, e recompensa uma semana cheia e exaustiva. Mas, além dessas coisas, além das variações de paladar, das mudanças dos gostos, sei que gosto de morango com leite condensado desde criança, desde que me lembro de ter alguma preferência sobre sobremesas.

 

O fato é que, se o gosto não muda, muda a vida, mudam os significados, as contingências. Ora, se não podíamos mexer com facas quando crianças, se não sabíamos como cortar os morangos, não conseguíamos abrir uma lata com aquele abridor…

 

Não sei se estou sendo claro na imagem que pretendo passar, mas penso que independência sejam essas mínimas possibilidades que nos aparecem com o tempo. Hoje, caro leitor, depois de ler este texto, você poderá sair de casa, ir ao supermercado, comprar uma boa caixa de morangos, bem firmes e vermelhos. Você poderá leva-los para sua casa, para seu apartamento, sua república, que seja. Você poderá lavá-los, cortá-los e, depois de abrir aquela lata de leite condensado que está no armário – sempre tem uma num armário, à espera de uma tragédia, de uma TPM ou até mesmo à espera de morangos – misturá-los e comer feliz a sua sobremesa.

 

São morangos, como aqueles da sua infância, caro leitor. É leite Moça, como aquele de sempre, leitor. Mas não é a sobremesa que só se pode comer depois de acabar toda a comida do prato, as verduras inclusive. Não, leitor, não é o sabor primeiro, ou o doce que se ganha como recompensa, cercado do mistério de não sabermos como fazer sozinhos. É apenas a sua pequena e mínima independência, toda ela repleta de saudade e das pequenas melancolias do querer: quisemos tantas independências que sentimos saudade de depender…

 

Talvez… Talvez…

 

*  *  *  *  *

 

Talvez seja o futebol um dos temas mais ricos para a crônica, e Pouso Alegre, mais uma vez, tem sido palco das glórias e desventuras de um time: o Pouso Alegre Futebol Clube. O Pousão, como é carinhosamente chamado, atrai as atenções da cidade com seus acontecimentos. A nova camisa, o Estádio Manduzão fechado, a estreia com portões fechados e, por fim, o jogo em casa com a torcida.

 

O que salta aos olhos na saga do Pousão é que as vitórias e derrotas com as quais a torcida mais se comove, e que mais assiduamente acompanha, são aquelas que ocorrem fora das quatro linhas do campo, mas na batalha dura e diária do trabalho com o esporte no interior do Brasil.

 

Atualmente o Pousão ocupa a sexta posição da tabela da segunda divisão do campeonato mineiro, mas ocupa, sem dúvida, em suas glórias e desventuras, a primeira posição nos assuntos dos pouso-alegrenses.

 

 

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