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Democratas indispostos

28/09/2018

Houve um tempo no Brasil, ao menos nas últimas décadas, em que a democracia era o valor mais caro à sociedade. Os traumas de períodos ditatoriais, que permearam a maior parte de nossa curta história como nação, mantinham vivo na memória da maioria que não há privação pior, nem mais degradante que a da liberdade.


Mas, na mesma medida em que as instituições perdem harmonia, assumindo formas bizarras de birutas do sistema, é cada vez mais nítido na sociedade a prostração diante de caminhos supostamente mais fáceis, assertivos e eficazes para acabar “com tudo isso que está aí”.


Mas cabe o alerta: o flerte com o populismo extremista é mais grave que a crise econômica que deprimiu o país e suas expectativas. A corrosão da esperança, fruto do inconformismo com os impasses insolúveis da política e a inaptidão de parte de nossos líderes para a ética é a causa compreensível para os arroubos autoritários de parte da sociedade, mas não é aceitável. Cabe aos líderes, homens públicos que tiveram a ambição de conduzir a massa, dar ciência ao povo do caminho sombrio que podemos estar a trilhar.


O desalento, no entanto, é grave e generalizado. Entre os líderes políticos, especialmente entre os poucos e bons quadros que ainda restam, denota-se um cansaço que, antes da luta, não é outra coisa que a falta de disposição para a democracia.


Ao unir as duas imagens, a saber: a da sociedade a flertar com o populismo extremista e a dos líderes capitulando sem lutar, tem-se o retrato acabado, falta a todos nós o ímpeto necessário para manter a democracia pulsante, vibrando na frequência do equilíbrio tênue das diferenças que deveriam somar e não dividir. Equilibrar o país no dia a dia das micro e macro tensões democráticas não é exercício para cidadãos amadores, muito menos para os indispostos.


É aterrador constatar que a capitulação reverbera especialmente em nossas elites, mais por malícia do que por fadiga. E, do topo de nossa pirâmide, supostamente esclarecida, dá-se o contágio para as bases carcomidas pela exasperação dos dias duros proporcionados pela aridez econômica sem fim. Depressão econômica, aliás, que tanto nossos líderes políticos, como nossas elites poderiam ter encurtado, mas não o fizeram pelo mesmo motivo que não gritam contra a truculência do autoritarismo: lutar pelo coletivo exige altruísmo e generosidade da qual não dispõem.

 

Mudando de assunto....

 

 

 

 

 

 

 

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