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Cientista político analisa como pode ser o voto dos pouso-alegrenses

06/10/2018

O cientista político Isaías Pascoal compara o cenário eleitoral de 2018 às eleições de 1989, a primeira depois da redemocratização. Para ele, a crise econômica, valores e a vulnerabilidade social com o segurança devem balizar a decisão do eleitor. Ainda de acordo com o cientista político, a conjuntura política do município tem chance de eleger um candidato local. Confira as análises de Isaías Pascoal na entrevista a seguir:


Jornal O Estado: Os analistas são unânimes ao considerar que esta é uma eleição atípica, seja pelo contexto político, econômico e histórico em que ela está se realizando, seja pelas peculiaridades desse processo eleitoral, que este ano, além de ser mais curto, tem recursos financeiros limitados. Como o pouso-alegrense deve se comportar nas urnas diante desse cenário? É possível que tenhamos surpresas?


Isaías Pascoal: A eleição deste ano se parece bastante com a de 1989. Os mecanismos que normalmente funcionam numa eleição para fazer o vencedor, até este momento não funcionaram: maior tempo de rádio e TV, coalizão ampla, partidos grandes e estruturados. O novo papel das redes sociais, cada vez mais decisivas, e o alto grau de polarização política impediram a competitividade de candidatos mais moderados, situados entre a centro-esquerda e centro-direita.

 

O ideal é os eleitores votarem mais com a cabeça e pensarem mais a longo prazo, mas creio ser quase impossível isso acontecer. Uma mudança de última hora é sempre possível, mas muito difícil. Algumas tendências já se cristalizaram e mudanças parecem inviáveis a essa altura.

 

JE: Historicamente, os pouso-alegrenses depositam muitos votos na centro-direita nas eleições nacionais. Este espectro político foi profundamente identificado com o PSDB nas últimas eleições. As pesquisas, porém, mostram que, em todas as partes do país, esses votos migraram em massa para o candidato do PSL, Jair Bolsonaro. É razoável supor que o mesmo fenômeno vá ocorrer em Pouso Alegre?

 

Isaías Pascoal: Creio que sim. O PSDB foi muito desgastado pelo apoio a Temer no pós impeachment de Dilma. Os escândalos que envolveram algumas de suas maiores lideranças (sobretudo Aécio Neves) fragilizaram o partido. E o Candidato Alckmin, embora tenha um discurso mais racional e agregador, não conseguiu se viabilizar. O problema é que a crise econômica, a irritação com as ideias e ações de grupos militantes de causas mais específicas (sexual, racial e gênero) de boa parte da sociedade e a vulnerabilidade social em relação à segurança, tornaram a opção por Jair Bolsonaro mais adequada ao sentimento deste setor que deseja um outro tipo de ação política. 


O sul de Minas, que tem se identificado com candidatos situados entre o centro e centro-direita, deve acompanhar esse processo de identificação com Jair Bolsonaro, que hoje encarna o antipetismo e indica uma ação mais agressiva na questão da segurança social e da luta contra os novos valores morais dos grupos mais minoritários.


JE: Nas últimas eleições, soou forte na cidade o discurso que defendia o voto no ‘candidato da terra’. Em 2018, temos, entre outros, a candidatura do vice-prefeito Dr. Paulo, que representa um prefeito que foi eleito com 70% dos votos válidos em 2016. Esse pode ser o ano em que os pouso-alegrenses votarão em massa em um candidato local?


I.P.: Pouso Alegre tem o segundo maior colégio eleitoral do Sul de Minas (quase 103 mil eleitores). Pelos padrões de funcionamento da política, o município tem condições de ter um “candidato da terra” tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara Federal. Isso já ocorreu no passado: nos anos 90, João Batista Rosa e Jair Siqueira foram eleitos deputados federais, com Simão Pedro como deputado estadual. Já faz 12 anos que não é eleito nenhum candidato nascido, ou morando há muito tempo, na cidade. O último foi Francisco Rafael, que saiu em 2006. Em 2010, faltaram menos de 200 votos para Virgília Rosa ser eleita deputada estadual.

 


Divisões políticas na cidade têm impedido a eleição de candidatos naturais de Pouso Alegre.
Eu não vejo isso (a eleição de representante da terra) como fundamental, mas não há razão para a cidade não ter um representante seu. Itajubá, Lavras, Passos, São Sebastião do Paraíso e Varginha, que são menores que Pouso Alegre, têm. Poços não tem porque se dividiu muito na eleição de 2014.


É possível a eleição do candidato a deputado estadual de Pouso Alegre apoiado pelo prefeito. Mas precisa obter no município, no mínimo, 50% dos votos dos eleitores, que, somados aos votos obtidos nas cidades vizinhas, podem colocá-lo bem na coligação de que faz parte (RENOVAÇÃO - 51-PATRI / 36-PTC / 35-PMB). A coligação é pequena e pode não conseguir o quociente eleitoral. Se conseguir e a votação do candidato apoiado pelo prefeito for boa, então a possibilidade de eleição se viabiliza.


JE: O que deve ter mais peso nesta eleição: o componente ideológico ou as questões cotidianas relacionadas ao dia a dia da população, notadamente emprego e renda?


I.P.: As duas questões estarão presentes, porque são importantes na definição do voto. Quem se identifica com um partido, ideia ou candidato, dificilmente muda de opinião, a despeito de qualquer argumentação. Se Lula fosse candidato, seria eleito, a despeito de tudo o que foi dito e provado sobre ele. Mas vejo os eleitores fazendo uso intensivo do voto estratégico, o voto útil, que serve para catapultar um candidato e impedir que o adversário seja vitorioso. Por exemplo, o antipetismo e antibolsonarismo têm muito de voto estratégico. E também me parece que o nível de descrédito da política alcançou um ponto tal, que os eleitores se abriram a propostas mais radicais e polarizadas.


JE: Qual a principal mensagem que os eleitores devem enviar por meio das urnas em 2018?


I.P.: Eleição sempre foi uma festa no Brasil. E é componente importante do processo democrático. O voto pode ser apoio ou veto. O ideal é que os eleitores sejam racionais, evitem propostas inexequíveis, fora da realidade e que vendem sonhos. A situação do Brasil e dos Estados é deplorável. Quem for eleito terá desafios imensos pela frente. Mas creio que boa parte dos eleitores não vai proceder assim. Há muita polarização, ódio e intolerância no ar. Num ambiente assim, é quase certo que o “fígado” e o “coração” decidam, não a “cabeça”. Assim, a mensagem pode não ser das mais auspiciosas.

 

 


 

 

 

 

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