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As idas e vindas das redes sociais e o drama de um desempregado

28/11/2018

Desempregado, homem usou placa para pedir emprego em Pouso Alegre e viralizou nas redes sociais. Oportunidades surgiram, mas, dias depois, postagem que o acusava de ser um aproveitador teria prejudicado suas chances de recolocação no mercado de trabalho

 

 

Ex-comerciante de peixes deixou seu negócio em Divinópolis para tentar um recomeço no Sul de Minas. Seu pedido de emprego acabou viralizando nas redes sociais (Foto: Karina Rocha)

 

Carlos Eduardo, de 37 anos, é um entre 12,5 milhões de brasileiros que estão à procura de um emprego. No início do ano, ele deixou Divinópolis, no Oeste e Minas, onde era proprietário de uma peixaria, para tentar a vida na ‘capital nacional do morango’, como ficou conhecida a cidade de Bom Repouso. Com a peixaria em baixa, a mudança para o Sul de Minas surgiu como uma saída esperançosa e partiu de uma sugestão do pai, que vive há 15 anos em Pouso Alegre.

 

Chegando à região, a oportunidade apareceu. O ex-comerciante de peixes conta que atuou na colheita de morango por 7 meses. Mas o serviço de temporada chegou ao fim e ele voltou para a fila do desemprego. O movimento natural foi se mudar para Pouso Alegre, onde vive com o pai há pouco mais de um mês. A esperança de conseguir uma recolocação era grande. Ele já ouvira falar da fama de Pouso Alegre, um município desenvolvido, cheio de oportunidades de trabalho.

 

Mas como as oportunidades não apareciam sua impaciência cresceu. Decidiu tomar uma medida urgente e ousada. Fez uma placa com os dizeres: “PRECISO TRABALHAR! VOCÊ PODE ME AJUDAR?” e foi para o centro da cidade empunha-la nos locais mais movimentados na esperança de que seu apelo por trabalho fosse atendido.

 

Apelo ganha as redes sociais

Era uma noite chuvosa de 7 de novembro. Karina Rocha passava pela Vicente Simões quando uma cena a fez parar. Um homem abatido segurava uma placa, onde anotava um pedido por ajuda: queria um emprego. Comovida com a atitude, decidiu fazer algo. Depois de ouvir a história do aspirante a uma vaga de trabalho tirou uma foto e postou em suas redes sociais: “Agora passando pela Vicente Simões me deparei com esse rapaz chamado Carlos Eduardo. Ele chorava muito. Se alguém puder ajudá-lo dando-lhe um emprego ele disse que faz qualquer coisa”, propagandeou.

 

 

A postagem teve enorme repercussão. Foi compartilhada 2.628 vezes. 134 pessoas comentaram. Muitos se solidarizaram, outros se identificaram com a atitude. “ País de merda, tem q se humilhar pra ter um salário pra pagar conta e comer”, se indignava um dos comentários. Em outro perfil, uma mulher narrava sua própria saga na busca por uma vaga: “Tb estou na msm situação, há 6 meses desempregada e não por falta de procurar e correr atrás, já foi mtos currículos distribuídos e até agora nada”, contou.

 

A mobilização foi imediata. Vereadores, formadores de opinião, empresários foram marcados nos comentários, na tentativa de que alguém encaminhasse Carlos Eduardo a uma vaga de trabalho. Nos comentários, Karina dava mais detalhes da experiência em resposta às inúmeras manifestações de apoio: “Tadinho ele orava e chorava muito. Fiquei muito triste. Tava chovendo. Eu ofereci dinheiro, mas ele não quis. Disse que queria um emprego pra ter sua dignidade de volta. As pessoas são muito solidárias eu creio que ele vai conseguir”, projetou.

 

Tudo parecia se encaminhar para um desfecho feliz. Mas passadas três semanas da grande mobilização nas redes sociais, Carlos Eduardo permanece desempregado. A repercussão do ato desesperado rendeu algumas entrevistas de emprego, mas nenhuma empresa chegou a contratá-lo. A reportagem entrou em contato com algumas empresas de Recursos Humanos. Elas confirmaram que ele participou de seus processos seletivos, mas não passou à fase de contratação.

 

Se tamanha mobilização não resultou na recolocação profissional de Carlos Eduardo é sinal de que o mercado de trabalho não está para peixe, certo? Não na opinião dele. Uma outra postagem nas redes sociais teria minado suas chances. Um perfil cuja identidade ele afirma desconhecer foi às redes sociais 10 dias depois da postagem de Karina Rocha com uma “Nota de Repúdio”.

 

No texto, não é citado o nome de Carlos Eduardo: “A dias atrás (sic) uma foto de um cidadão viralizou as redes sociais da região, com um desempregado com uma plaquinha pedindo emprego. (...) acredite se quiser o telefone de recado dele tocava o dia todo,até mesmo uma das maiores empresas da cidade (...) entrou em contato com o "desempregado" que de forma debochada atendia o celular e ainda era ele que fazia as exigências para empresas”, afirma o post.

 

A postagem foi compartilhada pelo perfil em alguns grupos de redes sociais, incluindo os de procura de emprego. A repercussão, porém, foi bem menor. Em um grupo dedicado a política, o ‘Eleições 2020’, a publicação contou com 25 reações, 9 comentários e 2 compartilhamentos. No texto, o perfil afirma ter obtido as informações de pessoas próximas a Carlos Eduardo, que nega ter se comportado como relatado no post. Ele conta que o número de telefone informado na placa é o de seu pai, já que ele não possui telefone.

 

 

Esta reportagem deixou diversas mensagens para o perfil responsável pela publicação. Mas não obteve resposta para nenhuma delas. Carlos Eduardo procurou a polícia para fazer uma denúncia, mas, segundo ele, foi desencorajado. “Disseram que como não cita meu nome é muito difícil provar que tenha alguma relação comigo”, conta. Ele partiu, então, em busca de um advogado, que o está orientando a reunir indícios que provariam que a postagem não apenas fazia referência a ele, como o teria prejudicado moralmente e na sua busca por recolocação profissional.

 

Sr. Gilson, de 61 anos, é o pai de Carlos Eduardo. Foi ele quem atendeu as ligações que começaram a chegar das empresas que convidaram o filho a participar de seus processos seletivos. Ele afirma que atendeu todas de forma objetiva e repassou os recados ao filho. Ele diz não conhecer ninguém com o nome do perfil autor da postagem que teria prejudicado o filho. “Não sei quem é, nem qual a intenção dele com isso. Também não quero saber se é alguém próximo para não me decepcionar”, desabafa.

 

Enquanto tenta rebater o post que pode ter reduzido suas chances de recolocação profissional, Carlos Eduardo segue à procura de um novo emprego, para ele, a única forma real de reparação.

 

 

 

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