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Expectativa e desconfiança: os desafios que aguardam a Planalto em Pouso Alegre

28/03/2019

 

Com tanta discordância por aí, há anos os pouso-alegrenses chegaram a um consenso: o transporte coletivo é o serviço com a pior avaliação do público local. Trata-se de uma noção consolidada em pesquisas, nas redes sociais e nas conversas cotidianas da população. Atrasos, ônibus precários, superlotação e por aí vai.

 

Nos próximos dias, porém, os pouso-alegrenses vão viver um ponto que pode ser de virada, esperança ou decepção, mas a expectativa é grande. Depois de três décadas, muita manifestação popular e uma troca de comando na administração do município, uma nova licitação foi feita. A concessão do transporte público mudou de mãos. Sai a Princesa do Sul e assume a Expresso Planalto, empresa integrante do Grupo CSC, tradicional conglomerado mineiro de transportes.

 

Na quarta-feira (27), a  empresa fez a entrega simbólica de 56 ônibus zero quilômetro que comporão sua frota regular na cidade. A partir de 1º de abril, eles passam a operar as cerca de 400 mil viagens que os pouso-alegrenses fazem todos os meses utilizando coletivos. 

 

De acordo com a Prefeitura, serão operadas entre 20 e 26 linhas diárias e, cada veículo, terá até cinco câmeras de segurança. Para acompanhar o trajeto, serão instalados três painéis digitais (dois na Avenida Duque de Caxias e um próximo à Casa da Cultura Menotti Del Picchia). Neles será possível consultar a previsão do tempo de chegada ao destino.

 

Os ônibus vêm equipados com câmera de reconhecimento facial e Wifi , além de poltronas acolchoadas e um sistema de monitoramento de percurso, através de um aplicativo disponibilizado aos usuários.

 

O desafio do conglomerado em Pouso Alegre

O grupo tem 45 anos de mercado, 1.150 veículos em operação por 24 cidades de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia, 4,5 mil colaboradores; estrutura bastante para operar 7,5 milhões de embarques por mês. Com essas credenciais, promete recuperar a credibilidade do transporte coletivo em Pouso Alegre, garantido qualidade, conforto e bom atendimento aos usuários.

 

O belo cartão de visitas, porém, não será suficiente para convencer os usuários do serviço. A empresa terá, antes, que praticar as promessas feitas. "Não tenho mais esperança, não. Dizem que vai mudar, mas continua sempre a mesma coisa", desabafa dona Benedita, uma aposentada de 56 anos que diz aguardar há horas a passagem do ônibus que faz a linha Polivalente.

 

Em qualquer ponto de ônibus que se chegue em Pouso Alegre para colher reclamações dos usuários, a fila se forma. Atraso, tratamento grosseiro dos motoristas, ônibus em más condições... a lista é longa.

 

A Expresso Planalto promete fazer deste um cenário pretérito. O discurso tenta quebrar a desconfiança, que a própria empresa já percebeu em seus primeiros contato com o público. Wi-fi, câmera de reconhecimento facial, painéis digitais para acompanhamento de trajeto. Todo esse aparato anima os usuários, certo?  "Olha, nem precisa de nada disso não, viu? Se os ônibus chegarem no horário certo já está ótimo", opina uma usuária que discute com duas amigas se a nova empresa que vai assumir não pertenceria aos mesmos donos da atual, questionamento comum entre os usuários.

 

- Dizem que é do mesmo dono né? Diz ela, questionando o repórter sobre a nova concessionária do transporte público.

- Não, não. Até onde se sabe foi feita uma licitação pública. A empresa vencedora é bastante conhecida no ramo, tem anos de atuação no mercado, argumento.

- Ah, mas é o que estão dizendo por aí. Afirma ela.

 

A descrença sobre o fato de uma nova empresa assumir o transporte público de Pouso Alegre depois de três décadas chega a ser compreensível, mas a proporção preocupou o grupo CSC. Tanto assim que, em 18 de dezembro do ano passado, uma semana após assinar o contrato de concessão, convocou uma coletiva de imprensa. O tema estava no centro das explicações que a empresa queria dar:

 

"Não há ligação do grupo CSC com a Princesa do Sul. Esse é o motivo principal a se esclarecer nesse primeiro momento", assegurou Roberto Torres, diretor de negócios do grupo, no início da coletiva.

 

EMPRESA ORGANIZA FESTA PARA MARCAR CHEGADA

Ao menos a Expresso Planalto parece ter entendido uma parte do seu imenso desafio em Pouso Alegre: cativar seus usuários. Um forte indício dessa percepção é que a concessionária organizou uma festa para apresentar-se aos pouso-alegrenses.

 

"O evento de inauguração da Expresso Planalto Pouso Alegre já está quase chegando. É dia 30 de março, com o show incrível da Ediana Maskaro. Chame a família e os amigos e venha prestigiar a chegada do novo transporte público de Pouso Alegre", diz o texto de uma das inúmeras publicações veiculadas pela empresa em página das redes sociais. Confira uma delas:

 

CAOS ANTECEDE CHEGADA DA EXPRESSO PLANALTO

Nas semanas que antecedem a chegada da empresa a Pouso Alegre, como que para exprimir todos os anos de dificuldades enfrentados pelo setor na cidade, como naqueles caprichos irônicos de correção história, o caos tomou conta.

 

O prenúncio do que estava por vir sobreveio no início de março, quando dois idosos se acidentaram ao descer de ônibus da Princesa do Sul. O vídeo de uma das quedas e as fotos das fraturas provocadas pela outra viralizaram nas redes sociais e foram temas de reportagens extensas da imprensa regional.

 

Relatos de testemunhas que viram as quedas foram taxativos: os motoristas não deram tempo para que os idosos descessem, arrancaram enquanto eles ainda estavam com um dos pés apoiados no degrau do ônibus.

 

 

Os acidentes podem ter sido o sinal de que os motoristas estavam com os nervos à flor da pele. Duas semanas depois, eles decretariam greve, paralisando o transporte de Pouso Alegre . Alegavam que a Princesa do Sul, prestes a encerrar suas atividades, não estaria disposta a pagar seus direitos trabalhistas. A empresa negou a informação e afirmou que tudo não passaria de um mal entendido.

 

Os motoristas, no entanto, afirmavam que a informação teria vindo do setor de Recursos Humanos da empresa. A sugestão dos profissionais a eles, parecia sugestiva: se quisessem receber, era melhor correr à justiça para garantir seus direitos trabalhistas.

 

>> Veja como foi a negociação com o movimento que paralisou o transporte no dia 19 de março:

 

De um lado a empresa afirmava se tratar de um mal entendido. Do outro, motoristas descrentes não tomavam por verdade qualquer informação da concessionária. Estava instalado um impasse com potencial de prejudicar 20 mil passageiros por dia.

 

Sinal dos tempos: a pendenga começaria a ser resolvida depois que Roberto Torres, diretor de negócios do grupo CSC, passou a mediar a crise entre trabalhadores e Princesa do Sul. Ele conduziu o acordo selado em uma reunião em que a atual concessionária se comprometeu em documento a pagar todos os direitos trabalhistas dos funcionários, exceto a multa de 40% sobre o FGTS e o salário indenizatório.

 

Questionado sobre seu voluntarismo, Roberto Torres disse ao R24 que entrou na negociação por acaso. Disse que passava pela Duque de Caxias quando viu a confusão e resolveu ajudar. Também segundo ele, a ajuda é uma forma de retribuir à disposição da Princesa do Sul durante o período de transição, que marca a saída da empresa que permaneceu por três décadas à frente do serviço de transporte coletivo na cidade para dar lugar à nova concessionária, do grupo CSC.

 

Mas quem pagou mesmo pelo duelo entre Princesa do Sul e seus motoristas foram os usuários, que ficaram a tarde e a noite do dia 19 de março sem transporte coletivo. É com esses usuários calejados, cansados e com enorme desconfiança que a Expresso Planalto terá que lidar a partir de segunda-feira, 1º de abril.

 

 

 

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