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A cozinha da Festa do Rosário e “Os guerreiros de São Benedito”

06/07/2019

 

Os voluntários que fazem a Festa do Rosário acontecer 

 

 

A partir de hoje, a coluna Quintal de Minas  inicia uma série em três capítulos para contar um pouco da Festa do Rosário de Silvianopolis, no Sul de Minas Gerais, que, em 2019, completou 239 anos. 

 

Falar em Minas Gerais é falar de tradições, causos, lendas e, sem dúvida, dos saberes, sabores e aromas da cozinha. A cozinha é o maior cômodo da casa do mineiro e também o mais aconchegante. Nela, tem histórias de família, de cidade, de rezas, lendas e até de assombrações! Mas sempre tem um santo no beral da parede. 

 

As Festas populares de Minas carregam um bocado dessas expressões de multidões de voluntários para tratar do povo que ali está para cumprir a devoção. 

 

Ao completar 239 anos de tradição, a Festa do Rosário de Silvianópolis é, sem dúvida, uma das festas populares mais ricas em detalhes culturais do Sul de Minas. Tem congado, Mocambique e caiapó. Tem o Mastro, símbolo do início da Festa carregada pelo povo ladeira a cima; tem velas acesas, pedras nas mãos, tem simbolismo nas Coroas Sagradas, e no Estandarte de cada terno de congado. 

 

Mas o texto de hoje é para expressar a força e energia dos bastidores da cozinha da Festa, que, popularmente, é conhecida como Barracão da Festa. São mais de 6 mil refeições servidas gratuitamente para termos de congado e para a população. Toda essa fartura é fruto de doações arrecadadas pelos festeiros, voluntários que preparam carinhosamente os pratos que compõem  cardápio da festa por dias a fio. Por tamanho empenho, decidi chamá-los de 'guerreiros de São Benedito', o Santo Mouro da cozinha, dos cozinheiros e também dos congados. 

 

Impossível falar o nome de todos os guerreiros, mas podemos aqui citar a dedicação de algumas nobres almas, como do Sr. Advanildo Dutra Peixoto, carinhosamente conhecido como Dezinho, que, na frente dos tachos e panelas, se dedicou por mais de 50 anos à Festa.

 

Dezinho é do tempo em que os festeiros ainda precisavam construir o barracão com bambu e madeira. Este ano, por motivos de saúde, não participou. Sua ausência foi muito sentida por todos, mas seus ensinamentos e dedicação foram reproduzidos pelo amigo e novo coordenador da cozinha, Sinezio Jr. (Juninho). 

 

Para muitos, a Festa se resume na subida do 'Reinado' no Sábado ou na descida, no domingo. Mas, para o Santanense, ela começa cedo. O preparo tem início dias antes. Começa com a matança dos porcos, a limpeza e pré-cozimento das carnes, a arrumação da dispensa, a contagem de cada ingrediente. A matemática é importantíssima para que, no final, haja fartura e  todos possam saborear os temperos da tradicional comida da festa. 

 

 

 

A energia deste lugar é magnífica. Vem do amor que cada um que ali está carrega pela Festa do Rosário. São feitos de pessoas de todas as idades e vontades, que, de forma voluntária e organizada, ocupam seus lugares; picando tomate ou cebola; descascando batata; lavando e preparando arroz; e, de vagar, o cardápio vai saindo; frango com batata; macarrão com molho de tomate; carne de porco; salada; e o feijão com pele de porco, no lendário Caldeirão de Ferro de 180 litros do Tião Coleira.

 
Ali tem a turma que serve os termos, Ternos de congado, a turma que está na limpeza dos pratos e talheres, a dos fogos e foguetes, a da limpeza das panelas e tudo do jeito que tem que ser. A orquestra regida pelo Sinezio Jr funciona com suprema harmonia... ao som dos batuques e das cantorias dos congados. 

 

Sabores, aromas e muita tradição. A cozinha da Festa do Rosário não poderia ser diferente, carregada de fé, devoção, amor e muita dedicação, transbordou energia!! 

 

Foi um experiência incrível ajudar nestes dias de Festa! Um Salve ao coordenador da cozinha, Sinezio Jr, aos Festeiros, Heleno Carvalho Leite, Lucia Carvalho, Hellaine Cristina e Felipe Beraldo e a todos os voluntários que ali estiveram doando em forma de sabores seu carinho pela Festa.

 

Se engana quem acha que, por ser uma quantidade enorme de comida, os pratos saem sem tempero! Nada vai para a ala de “servir” sem antes ser provada e aprovada. Comida ali é coisa séria! É a comida sagrada da Festa do Rosário! 

Cada prato foi servido com o melhor tempero de todos, o amor pela festa do Rosário.

 

400 quilos de frango; 600 quilos de porco, 180 quilos de feijão, 400 quilos de arroz, 360 quilos de batatas.

 

Este texto é em homenagem aos homens e mulheres que há anos estão ali, mantendo viva a tradição de fazer a Festa acontecer. Escondidos pelos portões da cozinha e para muitos anônimos, vocês são parte do tempero, do aroma, dos saberes e sabores que a Festa do Rosário carrega.

 

 

 

 

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