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Fui conhecer 'Dona Diva', a nova cachaça pouso-alegrense

08/11/2019

 

 

 

 

A Coluna Quintal de Minas começa hoje mais uma série. Vamos falar sobre cachaça e fazer um tour por alambiques do Sul de Minas. A região tem se destacando na produção da cachaça artesanal, o que tem lhe rendido muitos prêmios. 

 

Neste link, você pode ler um breve histórico do destilado símbolo do Brasil e de Minas Gerais. Os traços culturais e normas técnicas que fazem da cachaça nossa bebida típica.

 

Antes de ir ao ponto, puxo da memória meu primeiro ano como secretário de Cultura e Turismo de Pouso Alegre, quando recebi no gabinete o entusiasta da cachaça e das lendas populares, Francisco Villela, que estava buscando apoio para lançar seu livro: 'Ave, cachaça! nascimento, vida, reza & glória na terra do Mandu!' Seu livro traz a belezura das rezas e bençãos, dizeres populares e folclóricos do mundo popular da cachaça. Isso mostra o quanto esta bebida carrega de tradições, tornando ainda mais místico seu universo. 

Sul de Minas e Pouso Alegre na rota das boas cachaças! 

 

É evidente que a região de Salinas, no norte de Minas, tem a cachaça mais conhecida do Brasil e do mundo. Muito se deve ao mito da chamada Havana ou, hoje, Anísio Santiago, considerada por muitos a mais emblemática cachaça artesanal do mundo.

 

Mas outras regiões de Minas vêm investindo muito e produzindo excelentes cachaças, já premidas. Isso inclui o nosso Sul de Minas. 

 

Desde a faculdade de turismo, em Poços de Caldas, venho acompanhando o crescimento e o fortalecimento da cachaça na nossa região. Vi muitos alambiques nascerem, crescerem e serem premiados, como a saudosa Dedo de Prosa, vencedora por duas vezes de prêmio da USP e do ranking da revista Playboy. Vejo com muita alegria este crescimento. No último ranking da Cúpula da Cachaça, a chácara Tiê de Aiuruoca ficou em terceiro lugar na categoria prata. A Pardim 3 Madeiras de Camanducaia ficou no 26º lugar. 
 
Mas Pouso Alegre tem cachaça? 

Pouso Alegre tem cachaça sim! Dona Diva, uma cachaça que nasce de uma tradição familiar, do empenho pela qualidade, da Querência pela roça e do amor, sim o rótulo é uma declaração de amor. Quer mais? Leva o nome de Pouso Alegre e, assim, abraça a segunda maior cidade do Sul de Minas. 

 

 

Fui conhecer pessoalmente a Dona Diva. Foi uma manhã espetacular. Chegando no bairro rural Anhumas e parando para buscar informações da localidade, me deparei com Seu Miguel, plantador de inhame, que, com seu sorriso matuto, me disse: “O novo alambique fica depois dos ‘calipás’. Cê vai ver uma porteira e é só virar pra banda de lá! Pronto!!". Quanta alegria! Ser guiado pelo jeito mineiro de ser. 

 

Chegando no Alambique Dona Diva, fui carinhosamente recebido pelas irmãs Regilene e Renata e, logo em seguida, com um sorriso extremamente contagiante, Seu Antônio Renato. A família e proprietária do Alambique Dona Diva estava reunida.

 

Em pouco tempo, a prosa ganha força com uma visita monitorada e super bem
explicada sobre cada etapa de produção do alambique. A magia da transformação da cana-de-açúcar na bebida mais popular do Brasil, a cachaça. 

 

 

 

A busca pela qualidade é a primeira fala proferida por Renata, que assume o papel de ser a porta-voz na visita: "nossa cana-de-açúcar foi escolhida a dedo, levando em consideração adaptação ao solo e aspectos climáticos da nossa região. Esta cana é a RB 867515, indicada pela Emater por ela ser mais resistente a doenças, o que evita o uso de agrotóxicos; e quem nos orientou foi o engenheiro agrícola da Emater, que trabalhou por anos na região de Salinas e hoje é uma referência neste segmento.” 

 

Na prosa sobre cana, lembro que no Brasil ainda não se usa no rótulo a denominação da cana utilizada, como é feito no vinho: Carbenet Sou-a, Shira, Malbec entre outros. 

 

As irmãs se preparam muito para a jornada. Fizeram cursos na USP e visitaram vários alambiques para acertar os detalhes da construção, chegando ao melhor modelo de produção. “Pegamos as informações teóricas da USP e trouxemos para nossa casa. Juntamos com a sabedoria popular de minha família, já que meu pai nasceu no Paiolinho, distrito de Poço Fundo, uma das regiões que mais produz cachaça no Sul de Minas. Seus irmãos são produtores e todos aprenderam com o avô do meu pai. Nossa família tem história na produção de cachaça e, para buscar mais qualidade, fizemos vários cursos, entre eles o da USP. 

 

"Todo corte da cana-de-açúcar é manual, seguindo orientações de limpeza dos pés e ângulo do corte. Não existe queimada de cana aqui! Nem muito menos reaproveitamento de cana já cortada. Sabemos exatamente a quantidade de produção diária e a cana cortada está dentro deste cálculo, nossa cachaça é produzida por cana fresca sem utilização de agrotóxicos. 

 

Com um investimento de aproximadamente R$ 1 milhão a cachaça Dona Diva chega para disputar a ponta entre as cachaças de Minas Gerais. Manejo orientado para plantio e rebrota, Brix, teor de açúcar da cana escolhido a dedo e, logo após a moenda, padronização do teor de açúcar para que a cana possa ter uma fermentação uniforme.

 

Toda estrutura é de inox e o alambique de cobre. O interior do alambique azulejado e cada detalhe pensado para um manejo de sustentabilidade e reaproveitamento. O bagaço da cana-de-açúcar é utilizado na cadeira que mantém a temperatura do alambique de cobre para a etapa final da produção. 

 

O mais importante, uma cachaça feita puramente do coração da produção, não reaproveitando cabeça, nem cauda. 

 

 

 

A cabeça é o primeiro líquido que surge na destilação da cana-de-açúcar fermentada. Ela corresponde de 1,0% a 2,0% do volume total de vinho fermentado. Este fluido possui alta concentração de etanol, um tipo de álcool. De acordo com a legislação brasileira, o máximo de etanol permitido nos destilados é de 0,25ml/100ml. Este dado é importante, pois além de garantir a qualidade da cachaça, ele também garante segurança para a saúde do consumidor. 

 

A cauda corresponde ao líquido presente no processo final, corresponde a aproximadamente a 3,0% do volume total do vinho. Ela possui um odor forte e sabor amargo.

 

Assim, Dona Diva é uma cachaça de excelência, feita somente do coração da destilação, isso mesmo, retiradas a cabeça e a cauda, ficando só o meio da produção, chamada de coração. 

 

O passo a passo da cachaça

Vamos para o processo da cachaça: a cana-de-açúcar é cortada e carregada por um trator até o alambique. Ela segue, então, para a moenda, onde é extraída a garapa; passa pela filtragem para separar resíduos do líquido e, logo após, para o decantador, que auxilia na retirada dos resíduos.

 

Nesse ponto, a garapa vai para a dorna de padronização, onde é feita a padronização do Brix, indicador de açúcar presente na garapa.  Dona Diva trabalha com 16 Brix. Saindo do decantador, a garapa vai para a dorna de fermentação. 

 

O fermento utilizado é específico para cachaça e foi selecionado pela UFLA. A escolha dele se deve ao cuidado da Dona Diva em diminuir ao máximo o teor de carbamato de etila, que é uma substância potencialmente cancerígena e produzida na destilação da cachaça. Esta preocupação em buscar um fermento adequado para um bebida de qualidade, mostra a atenção e amor colocado neste produto e no consumidor. 

 

Destilação

O vinho da cana, já fermentado vai para o alambique de cobre, o mesmo é aquecido pela caldeira, que utiliza o bagaço da cana como combustível, que fornece vapor para o alambique, mantendo ele na temperatura de 90 graus celsius por toda etapa de destilação, garantindo, assim, uniformidade ao processo. 

 

Destilado o vinho da cana, a magia acontece! Nasce a belezura, a proeza, a dona do coração de Minas Gerais e do Brasil, nasce a cachaça! Agora é separar o coração para o tonel de engarrafamento e posteriormente separar a safra que vai para descanso em tonel de carvalho europeu. 

 

Neste momento, percebo em Renata o compromisso verdadeiro do que está fazendo. Ela me diz com toda clareza e força: "limpamos tudo após o processo! Lavamos os equipamentos e depois passamos álcool que nós mesmo produzimos com a cabeça da destilação. Com os equipamentos inox e nosso zelo, garantimos um produto com a maior qualidade possível e zeramos qualquer contaminação bacteriana existente. A limpeza do engenho e do alambique é a alma da bebida", diz.

 

Como nasceu a Dona Diva? 

Agora o bicho pega! Como já dizia o povo antigo. Pega, porque o nó na garganta aperta! Dona Diva nasce do amor pela roça, da tradição da família e da escolha em ser produtor rural.

 

Renata nos conta que seu pai, Antônio Renato, já tinha a ideia de produzir cachaça quando comprou o sítio no Anhumas, há muitos anos, mas a ideia foi ficando em segundo plano. Plantaram café e mexeram com outras lavouras. Um dia, porém, ao lado na mãe, o sonho despertou. Vamos produzir cachaça, como era a ideia inicial. Daí nasceu o sonho, mas o destino quis neste caminhar, levar Dona Divanda para perto do criador.

 

O amor entre pai e filhas se multiplicou na dor, com o sonho realizado, alambique construído, cachaça produzida, o nome foi dado... Dona Divanda... Dona Diva... amor eternizado! 

 

Oh manhã espetacular! Prosear e aprender com pessoas do bem e que fazem o bem! Pessoas que decidiram colocar o nome de Pouso Alegre neste caminhar. Obrigado Antônio Renato, Regilene e Renata pelo carinho, e vamos finalizar com reza do livro Ave, cachaça! de Francisco Villela:

 

Três cuias, três cuités,
Pé de Saci, Ferrão de Mandi, 
Ta abentizado, amém!”

 

 

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