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Um breve histórico da cachaça

07/11/2019

 

 

 

 

 

Alambique da cachaça Dona Diva, de Pouso Alegre - Foto: divulgação 

 

O grupo Mapa da Cachaça, comunidade empenhada nos estudos e divulgação desta bebida tão tradicional para nós mineiros destaca a origem da cachaça da seguinte forma: 

 

“De certa forma podemos dizer que a história da cachaça começa quando os portugueses trouxeram ao Brasil a cana-de-açúcar e as técnicas de destilação. Em 1502, as primeiras mudas de cana chegaram ao Brasil, trazidas por Gonçalo Coelho. Em Pernambuco, entre 1516 e 1526, o primeiro engenho de açúcar foi instalado na feitoria de Itamaracá. Nas primeiras décadas de presença portuguesa, o número de engenhos no Brasil se multiplicou rapidamente.

A versão apresentada pelo historiador Luís da Câmara Cascudo, no seu livro Prelúdio da Cachaça, reforça a tesa de que a primeira cachaça foi destilada por volta de 1532 em São Vicente, onde surgiram os primeiros engenhos de açúcar no Brasil.”

 

Mas, afinal, o que é cachaça? Como podemos defini-la? 
O MAPA - Ministério da Agricultura e Pecuária por meio do Decreto no 6.871, de 4 de junho de 2009, que Regulamenta a Lei no 8.918, de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, em seu artigo 53, define CACHAÇA:

“denominação típica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com graduação alcoólica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela destilação do mosto fermentado do caldo de cana-de-açúcar com características sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de açúcares até seis gramas por litro (≤ 6g/L de açúcar).

 

Por sua vez, o Decreto no 4.062, de 21 de dezembro de 2001, define as expressões "cachaça", "Brasil" e "cachaça do Brasil" como indicações geográficas e dá outras providências e, em seu artigo 1º traz:
“vocábulo de origem e uso exclusivamente brasileiros, constitui indicação geográfica para os efeitos, no comércio internacional, do art. 22 do Acordo sobre
Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio, aprovado, como parte integrante do Acordo de Marraqueche, pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994.


Ainda, o Decreto no 4.062, de 2001 estabelece que o uso da expressão protegida "cachaça" é restrito aos produtores estabelecidos no país.
Recentemente, o Decreto no 9.658, de 28 de dezembro de 2018 promulgou o Acordo entre a República Federativa do Brasil e os Estados Unidos Mexicanos para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México.

 

Reconhecimento semelhante já havia ocorrido como parte do acordo bilateral entre os governos do Brasil e Estados Unidos, firmado em abril de 2012, em contrapartida ao reconhecimento do bourbon whisky e do tennessee whisky como bebidas elaboradas apenas por produtores dos Estados Unidos, a cachaça passou a ser considerada um produto exclusivamente brasileiro no mercado norte-americano.

 

Vejam que a bebida mais consumida e tradicional do Brasil precisou passar por uma definição de nomenclatura e de composição, bem como a de um registro nacional afirmando ser ela uma bebida típica brasileira e, ao mesmo tempo, um acordo internacional, afirmando: cachaça é uma bebida produzida somente no Brasil! 

 

Porque Minas Gerais se tornou o Estado da Cachaça no Brasil? 

Dirley Fernandes em seu artigo: 'Cachaça de Minas: as raízes de uma paixão' relata dois importantes fatores para que Minas Gerais tenha se tornado o estado oficial da cachaça no Brasil: o primeiro: porque os mineiros bebem muito, uai, poderia ser a resposta. E estaria correta. O consumo em Minas Gerais era impressionante em meados do século XIX, como conta Marcelo Magalhães Godoy.

 

“Os dados da entrada de aguardente pela Recebedoria do Taquaral permitem aproximação do consumo per capita de Ouro Preto. A média mensal de 17.241 litros de aguardente dividida por 13.567 ouro-pretanos (Silva, 1997) projeta consumo per capita anual de 15,3 litros”. Detalhe: havia na cidade quatro recebedorias por onde a cachaça entrava. No Brasil, hoje o consumo per capita é de cerca de 5 litros.
 

Mas há outro ponto de vista, que levaria à resposta: porque Minas tem tradição liberal. Também não estaria de todo errada. Quando se esgotou o ciclo do ouro, a região mineradora tinha uma estrutura social menos desigual do que a do restante do país, não obstante a base escravocrata em comum. Havia latifúndios, mas não eram tão comuns as enormes fortunas.

 

Existia uma miríade de pequenas propriedades agrícolas produzindo e comerciando produtos variados. Produzir cachaça era sempre uma boa opção para esses pequenos proprietários. E era uma civilização urbanizada, onde escravos, libertos, quase pobres e nem tão ricos se esbarravam pelas ruas de Mariana e São José do Rio das Mortes.

 

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