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Poço Fundo, o destino do café orgânico no Sul de Minas

22/11/2019

 

 

 

 

No início do mês, aconteceu o 4º Festival de Café Orgânico e Fair Trade. Antes de chegar ao festival, porém, retomo a motivação desta coluna. Quando decidi escrevê-la, para tratar de tradições culturais de Minas, em especial da nossa região sul-mineira, sabia das riquezas que precisava ser carinhosamente abordada pela Coluna Quintal de Minas.

 

4º Festival do Café Orgânico de Poço Fundo mostra a força da cultura no Sul de Minas e a capacidade dos cafeicultores de se reinventar agregando valor ao mais importante produto rural da região 

 

 

Nos encontros com meu amigo e parceiro Adevanir Vaz, editor do Portal Rede Moinho, assuntos, risadas e muita energia se fizeram presentes. Sabe por quê? Porque falar de Minas não acaba. De um assunto surgem outros dez! E, aí, a noite vira, e você se dá conta de que passou a madrugada toda falando do amor do menineiro por Minas Gerais. 

 

De prosa em prosa, de contato em contato, surgiu o convite da querida Regina, da Coopfam (Coopeartiva de Agricultores Familiares de Poço Fundo e Região). Ela me mandou uma mensagem, por indicação da amiga professora Aloisia do, IF Sul de Minas, para ser um dos juntados no concurso de pratos elaborados com café, no 4º Festival do Café Orgânico e Fair Trade.

 

Como tenho um pequeno caminhar com amigos produtores de Orgânicos, já conhecia a história de luta e conquista da Coopfam e da pequena e romântica Poço Fundo. Aceitei o convite de pronto e com muita honra. Emendei com um pedido: "Posso ir mais cedo para conhecer a plantação de café?" Regina esclareceu: "Vai ter um tour elaborado justamente para isso. Começa 8h, em casa, e, depois, passa em mais dois produtores de café".

 

 

 

Espetacular! O coração já batia de ansiedade em conhecer estes homens e mulheres da terra, do ouro negro de Minas e do Brasil, que tratam a terra como mãe e o café como filho, em uma bela relação de respeito. 

 

Chegou o dia. Acordo de manhã e pego a estrada, um pouco atrasado. Rumei para Poço Fundo. Chegando na sede da Coopfam, sou recebido por dois jovens membros da cooperativa, Matheus e Gustavo, ansiosos para contar suas histórias. Também, ali, conheci duas mulheres que, como eu, construíam uma relação com o café. Elas iriam participar da visita monitorada comigo: Debóra Rabelo, do Café Abraços, de Belo Horizonte, e Gabriela Schneider, de Poços de Caldas, formada em relações internacionais e iniciando o mestrado em Desenvolvimento sustentável pela UFRRJ.

 

Na casa do casal Carlinhos e Regina, um abraço de bom dia se misturou com a chuva fina que caia, perfumando o ar matutino com o cheiro da terra molhada. O dia chuvoso nascia abençoado. Aí você “entra pra dentro” e de cara encontra uma mesa de café cheia de delicadeza e carinho, uma típica mesa mineira: bolinho de polvilho azedo ou cacete, aquele frito na gordura morna, bolacha de rapadura, broa de pau a pique, bolos, queijo minas frescal e, claro, o café orgânico produzido pelo casal. Meu Deus! E era só o início do dia, imagina quando chegar a noite no Festival. 

 


A prosa começa. Todos querem escutar as histórias dos que produzem esta benção chamada café. Carlinhos é um dos diretores da cooperativa e fala da importância do Festival do Café para Poço Fundo e como ele, rapidamente, ganhou força.

 

“O povo abraçou o festival. Já é um evento esperando por todos o ano inteiro. Vocês vão ver! Vai ter mais de cem pratos inscritos só hoje à noite no concurso! Sem contar os outros dias e competições entre os baristas”, antecipou.

 

Em seguida, Débora e Regina começam uma conversa sobre o Mobi (Mulheres Organizadas em Busca de Igualdade). O grupo de mulheres produtoras de café foi formado em 2006, com seis mulheres. Hoje, já são 25. Elas são responsáveis pelo Café Feminino da Coopfam.  É nessa relação que percebo a figura do intermediário, tão comum no mundo capitalista, ser desconstruída. Em seu lugar, nasce uma nova forma de parceria, justa, horizontal.

 

Percebi, ali, enquanto me deliciava com aquele café maravilhoso, a relação harmônica de Débora Rabelo, do Café Abraços, com as mulheres do café feminino de Poço Fundo.

 
Quando Débora mostra para Regina a embalagem do café que leva a sua foto estampada em destaque, meu Deus! Tal como o sol esquenta, a energia do bem também é sentida. O orgulho se poetiza nos olhos, você enxerga Deus em forma de lagrimas.

 
Bora para a roça de café, onde recebemos informações técnicas de manejo e produção. E com o tempo  “avoa onde Deus habita” a breve visita se encerra. Partimos rumo à próxima parada, a casa da família do Seu Joaquim e da dona Silvana. Pensa como fomos recebido... Sim, com abraços, sorrisos do casal e dos filhos, Luiz Fernando e Jaqueline. A família nos serviu um almoço daqueles. A comida mineira feita em forma de poesia no fogão à lenha: frango caipira, porco, angu, arroz, feijão, couve, saladas e sucos naturais do quintal.

 
Luiz Felipe e Seu Joaquim apresentam para o grupo o café fermentado, técnica chamada Sprouting Process, desenvolvida por Léo Moura. Os grãos estavam há 20 dias em processo de fermentação para a retirada do açúcar. 

 

Silvana torra um café na hora. Depois de saborear esta belezura, é hora de mais uma despedida. Bora para o Sítio Paineiras, da família do Senhor Schiller. Lá, fomos recebidos pela filha de Schiller, Viviane, sua filha Camilia e seu sobrinho, Leonardo, o “responsável” pela mudança da plantação para orgânico.

 

Sim, teve mais comida, mais café e mais energia boa! Neste momento, o grupo tinha aumentado. Viviane e Léo fizeram uma breve apresentação da historia e do novo manejo utilizado, o agroflorestal, coordenado pelo Léo. Visitamos a plantação orgânica, berçário de mudas e pudemos ouvir até sobre o tratamento homeopático testado nas mudas de café.

 

Finalizada as visitas, bora para o Festival Gastronômico do café. Aquela abertura linda e cheia de tradições. Coube ao Congado de São Benedito, do Capitão Luiz Antônio, abençoar a noite. 

 

 

 

Foram mais de 100 pratos inscritos em três categorias: bebidas, doces e salgados. A exigência central do concurso era o uso do café para a composição dos pratos e drinks. Divididas as equipes, fiquei com Geraldo, da Gerana Orgânicos, e Débora, do Café Abraços, na equipe de salgados. 

 

Quanta comida boa e quanto criatividade. Fiquei impressionado com a forma com que a população abraçou o festival, com as misturas e algumas combinações exóticas. Teve de tudo um pouco como dizem pras bandas de cá!

 

Os vencedores foram os seguintes:

 

> Categoria: Bebida 

1º lugar: Licor cremoso de café - Fábio Antônio Ferreira

2º lugar: Licor de café – Giovana Cristina de Carvalho

3º lugar: Café com nutella e chantilly – Geise Mara Pereira

 

Categoria: Salgados 

1º lugar: Lagarto ao molho de café – Margarida Aparecida Pereira

2º lugar: Barca japonesa com tarê de café – Geise Mara Pereira

3º lugar: Medalhão de filé mignon ao molho de café

 

> Categoria: Doces 

1º lugar: Torta na taça - Gislaine Aline Ferreira 

2º lugar: Brigadeiro de café - Leonardo de Carvalho Borges 

3º lugar: Cupcake de café – Giovana Cristina de Carvalho

 

Finalizado o festival, recebemos uma linda medalha e um pacote de café feminino orgânico de presente. Mas o melhor de tudo foi o dia rico de pessoas, de companheiros, de histórias, de risadas e da sensação de amizade formada. Ano que vem, estarei lá novamente, se Deus quiser!

 

Fecho a coluna de hoje com este lindo poema da Regina do Mobi. 

 

O café 

 

“Tomar um café vai muito além 
de um simples água e pó.
Faz parte das conversas de amigos 
Onde ninguém se sente só. 

Nas reuniões de negócios, 
ele está sempre presente, 
seja nos mais simples
ou até com o presidente. 

Nos encontros com os amigos 
Seu aroma nos inspira a dar boas risadas 
com as histórias contadas 
Que todos se admira. 

O café é o ouro negro do Brasil 
Seja vendido cru, torrado ou moído 
Tem na mesa do camponês 
E também na do barão, que espera ser servido.” 

 

Maria Regina Mendes Nogueira

 

 

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